sexta-feira, 29 de outubro de 2010

O Lobo e a Flor.




Caminhando pelas trilhas costumeiras,
ao chegar ao topo de uma montanha,
um lobo, já descrente de sua vida,
se deparou com uma misteriosa flor,
que estranhamente lhe chamou a atenção!
Tomado de uma súbita curiosidade,
se aproximou e sentiu um aroma mágico
invadindo primeiro o pensamento
e depois, suas narinas...
Tomado por um torpor inexplicável,
foi se aproximando aos poucos.
Quando percebeu, estava a um passo de lhe dar um beijo!
Recuou, temeroso dessa estranha sensação!
Mas, o coração e alma falaram mais alto.
Delicada e suavemente, tocou-a com suas patas
e num gesto inesperado,
aproximou sua boca num beijo sutil
porém apaixonado!
O dia que estava claro, inesperadamente se fez noite...
e deu lugar à uma noite de luar,
clara como nunca havia visto!
A lua se fez rainha no firmamento,
coroada pelas estrelas que brilhavam ao seu redor.
Quase não acreditando no que estava acontecendo,
pensando estar louco ou alucinado, estremeceu...
Abriu e fechou os olhos, várias vezes,
para realmente acreditar no que via!
Aquela linda e rara flor,
havia se transformado numa mulher...
Estendo as mãos em direção à cabeça do lobo,
ela suavemente o acariciou...
Levando-o, nesse instante, ao mundo mágico dos sonhos...
Ele, por sua vez, encantado e agradecido,
fez soar um uivo, como jamais havia sido dado ou ouvido,
por todo o planeta!
Foi o grito de um guerreiro que estava adormecido,
há séculos esquecido 
e se fez ecoar pelos quatro cantos...
O céu se tornou muito mais iluminado,
as estrelas se uniam em grupos,
formando uma claridade jamais vista.
A lua, por sua vez, foi se tornando mais resplandecente,
com um brilho que ofuscava, 
a quem a olhasse mais atentamente.
Ele sabia que o momento era chegado...
Sua vida não havia sido em vão...
A busca havia terminado...
Num ultimo gesto, 
pensado que seu tempo havia terminado,
fitou aquela linda mulher a seu lado
e humildemente, tocou suas mãos com os lábios,
numa cerimônia simples, de agradecimento e adeus!
Inesperadamente, ela levantou a face do lobo,
olhou profundamente dentro de seus olhos,
e ao perceber um lágrima rolando,
o beijou suavemente; 
mas um beijo diferente,
um beijo de alma e coração...
Há muito sonhado, esperado, mas não esquecido!
Nesse instante, por todo universo se fez ouvir um trovão!
A terra toda estremeceu,
as estrelas se uniram, temerosas do que viria a seguir...
A lua foi encoberta por uma nuvem escura,
mergulhando o firmamento na mais negra escuridão!
Como querendo ocultar, a lágrima escondida!
A impressão que se obteve,
foi que naquele instante, o tempo parou!
E... ele acreditava que estava para dar,
o que julgava ser, seu último suspiro...
Que a sua missão havia terminado...
Um torpor tomou conta desse ser, 
meio animal, meio mágico...
Sentindo as forças acabarem,
olhou para a mulher ao seu lado,
como se fosse a última vez, 
e seus olhos foram se enevoando...
Parecia flutuar, estava leve, estranhamente leve...
Quando se deu conta... Abriu os olhos...
Um lindo olhar o fitava, na mesma intensidade...
Era ela... A sua frente...
Pensou estar sonhando...
Mas... Não!
Era uma realidade palpável...
Os deuses haviam permitido
que, mais uma vez, eles se encontrassem...
Um terno abraço tomou conta desses dois corpos,
fundindo assim um amor que ultrapassava
os limites da eternidade e da razão!
Ele havia se transformado num homem,
o animal lobo ressurgira no guerreiro esquecido,
num ser agora racional e sensível;
transformado pelo toque do amor,
traduzido pelo beijo numa flor,
que sempre o acompanhou desde eternidade.
Corpos e corações se uniram, nesse instante...
A lua foi se descortinando inexplicavelmente...
As estrelas irradiavam sua luz,
iluminando mais ainda a noite!
Eles se deram as mãos,
e caminharam em direção ao amanhã...
Que seria o único caminho que poderiam percorrer...
Mas... Desta vez... Juntos...
Num amor que superou o tempo e o espaço...
Na esperança guardada, 
dentro de dois corações,
por tantos séculos,
de que um dia, 
estariam juntos...
Novamente...

http://refugiodossonhos.bravehost.com/lendaflor/lendaflor.htm

TEXTO TIRADO DA INTERNET.
 

Mente sobre a Matéria.

  Libertar a mente da prisão material que nos sujeitamos nos caminhos mundanos não é tarefa fácil, na verdade é uma luta árdua e diária, uma das provações que mais provoca aflição aos estudantes marciais. É comum nos dias de hoje nos sentirmos fracos e incapazes diante de novos obstáculos, estamos com a mente tão centrada ao óbvio que quando nos deparamos com uma nova tarefa simplesmente nos sentimos incapazes, perdidos. Nós inconscientemente nos acostumamos, limitamos o nosso pensar, sem nunca querer ir um pouco mais além, o medo de errar ainda assusta e preocupa. É preciso libertar a mente de todos esses pensamentos e deixá-la vazia, preparada para receber as energias do universo, dessa forma conseguimos atingir o nível de desapego necessário para desenvolver nossas habilidades tanto marciais quanto as sociais.
  A maior das lutas já iniciou se quando demos os nossos primeiros passos, quando começamos a desejar e percebemos que nem tudo que queríamos nos seria dado, não sem dedicação e merecimento. Perseverar sobre sua própria mente e espírito é deixar ir aquilo que nos limita e enfraquece, essas poeiras em nós devem ser removidas de forma paciente e bem resolvida para que não retornem na forma de frustração, ódio ou medo. Humildade e sabedoria devem caminhar juntas nas etapas de aprendizado, assim, acredito eu que nossa mente estará pronta para fazer inconscientemente o que outros fariam conscientes e em esforço desnecessário.

Por: Rubem de Souza A. Neto

O Arqueiro.


"Diz uma lenda japonesa que um grande mestre arqueiro treinou seu discípulo até a perfeição na arte e então lhe disse:

- Agora se esqueça de tudo que sabe sobre isto!

Durante vinte anos o discípulo ia ao mestre e este nada dizia. Ele precisou esperar pacientemente. Aos poucos, ele foi esquecendo tudo o que sabia sobre arcos e flechas.

Então, um dia, ao entrar na sala do mestre ele viu um arco e não o reconheceu. O mestre foi até ele e o abraçou, dizendo:

- Agora você se tornou o arqueiro perfeito. Você se esqueceu  até mesmo do arco. Agora vá lá fora e olhe os pássaros voando e, apenas com a idéia de que eles deveriam cair, eles cairão.

O arqueiro saiu e do lado de fora ele olhou alguns pássaros voando e eles caíram imediatamente no chão. Ele ficou perplexo e não podia acreditar.

Então o mestre lhe disse:

- Agora não há mais nada a ser feito. Eu estava apenas lhe mostrando que, quando a pessoa se esquece da técnica, só então ela se torna perfeita. Agora o arco e a flecha não são mais necessários. Eles são necessários apenas para os amadores."

Ao aprender, você conhece o mundo. Ao desaprender, conhece a si mesmo. Ao aprender, você acumula conhecimento. Ao desaprender, torna-se sábio. Ao aprender, você armazena. Ao desaprender, fica despido, vazio.

Primeiro você tem que se disciplinar, estudar, aprender. Depois, você tem que desaprender, e isso é difícil, mas ao mesmo tempo é fundamental. Se não fizer assim você será apenas um técnico, e não um Grande Artista!

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

The Drean Hunter.

  Dizem que tudo fica melhor quando sentimos coisas parecidas, quando vemos as mesmas sombras rabiscadas na noite. Quando encontramos alguém para culpar, mas parece que eu te desapontei, você sentiu o gosto amargo da dor e isso te fez pensar, mas não acho que vai te fazer mudar. É bom saber que não preciso que você acredite em mim, nem que me ajude a acreditar em suas mentiras, pois eu nunca fui um crente das suas palavras.  E agora, página virada, sentimentos a parte, em parte, apenas fragmentos. Eu tentei fechar os olhos, não dá pra imaginar quando essas coisas vão acontecer novamente com a gente, mais horas e horas no telefone, querendo saber, conhecer a voz do outro lado, descobrir, encontrar pedaços de mim em outros sonhos, outra cabeça. Eu reluto em acreditar que podem ser os sinais que tanto procurei, na realidade essas coisas sempre arrumam um jeito de acontecer e de uma forma ou de outra acabamos entendendo seu objetivo.
  Fico me perguntando se é cedo, ou se é mesmo o que poderia ser...Fico assim por muito tempo, pensando. Mas acho que no fim é comum sentir isso, não é tão difícil quanto é a sensação de nos forçarmos a acreditar que não se pode encontrar alguém parecido conosco, lógico que não poderia ser igual, seria loucura pensar assim. Só não entendo como podemos ficar cegos diante da realidade que breves momentos de ilusão podem nos mostrar, tocando exatamente nos sentidos certos, expondo as fraquezas e o desejo de encontrar a outra metade de nós, que vaga solta no universo infinito. Queria ser como a pedra, mas não rolar, queria controlar o destino e forçar sua mão, mas não posso. Faz parte de nossa jornada viver esses momentos e decidir se serão realmente mágicos ou apenas mais um show de ilusionistas, afinal é mais importante vivenciar a mágica ou descobrir o que está por trás do truque?

Por: Rubem de Souza A. Neto

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Wing Chun Kuen

É uma arte marcial chinesa, dentre as centenas de expressões daquilo que no ocidente é chamado popularmente de Kung Fu. Segundo a tradição oral de nosso Clã, suas origens remontam Siu Lam Jee, o famoso templo budista de Shaolin, conhecido por seus monges lutadores e por ter sido o berço da filosofia Chan (Zen, em japonês).

Após a destruição do templo pelo imperador da dinastia Ching, por volta de 1734, a arte passou a ser ensinada de modo sub-reptício pelos monges sobreviventes, indo parar numa trupe de atores de Ópera cantonesa chamada Kin Fah Wui Guon (A Sociedade da Preciosa Flor de Jade), cujo objetivo,  além dos feitos artísticos, era o de disseminar o ideal de restauração da dinastia Ming, por meio da revolução armada. Após a dissolução do grupo, supostamente envolvido em uma rebelião, a arte foi reflorescer na cidade da Montanha de Buddha, Futsan na segunda metade do séc. XIX.

Por volta de 1949, o honorável Ancestral Yip Man estabeleceu-se em Hong Kong. Dentre seus principais discípulos, um ator chamado Bruce Lee tornou-se um astro do cinema de ação internacional, no começo dos anos setenta, fato decisivo para que o Wing Chun se popularizasse, sendo hoje umas das artes marciais chinesas mais praticadas do mundo.

O Applied* Wing Chun é um sistema de luta cujo foco principal está nos combates curtos e intensos, nos quais o praticante responderá potencialmente a diferentes agentes agressores em situação de desvantagem, ou seja, o combate em ambiente NÃO-CONTROLADO.

Para isso, o praticante se vale duma estratégia que utiliza um amplo leque de ações defensivas composto da combinação criativa de movimentos simples e contra-ataques explosivos e diretos, socos, cotoveladas, golpes de palma e uma grande variedade de “low kicks”, que são uma marca registrada de nossa ramificação.

Contudo, a mera menção ao termo “defesa pessoal”, não completa o sentido da arte, por seu alto conteúdo filosófico e por ser, embora com algumas limitações, adaptável ao combate esportivo, hábito que os praticantes de nosso clã usam pra cultivar o espírito guerreiro, sem, entretanto, dar lugar ao discurso falso sobre uma suposta superioridade de nosso sistema frente a outras lutas, que infelizmente tem sido seu principal meio de divulgação por pessoas inescrupulosas e ineptas. Wing Chun é só uma arte marcial, nem melhor tampouco pior que qualquer outra. O Wing Chun praticado de sua forma tradicional é algo difícil de ser ensinado, por isso é uma escola de pouco apelo popular, preferida em geral por policiais, seguranças, profissionais liberais e pessoas de perfil intelectualizado de diferentes classes sociais.

*Denominação utilizada para propagação internacional do nosso legado marcial desde 2002, escolhida por Sifu Duncan Leung, cuja tradução é “Wing Chun Aplicado”

Matérial sedido gentilmente pelo meu Sifu Manoel Ramos.

Conduta Marcial



Hierarquia Marcial 

Os princípios hierárquicos representam a base que assegura a perpetuação do kung fu através dos tempos. Sem tais princípios esta arte marcial chinesa seria um amontoado de socos e pontapés com a finalidade somente de desordem social. É graças á hierarquia de cada ‘família-kung fu’ que a arte é tida desde os tempos mais remotos como instrumento de moldação do caráter humano, garantindo assim, exemplos de moralidade e retidão espiritual.
A hierarquia dentro do kung fu é semelhante àquela usada pelos povos antigos, onde o pai exercia o papel de líder, cabeça responsável pelo sustento e educação (disciplina) dos seus filhos e esposa, o que não deixa de ser uma maneira peculiar de governar. Caso o pai se ausentasse, caberia ao mais velho (esposa ou filho mais velho) proteger e zelar pela ordem da casa. Com a morte do pai, cabia ao filho mais velho defender os mais novos até que cada um adquirisse estrutura suficiente para resolver seus próprios problemas, constituir uma família etc.
Sem hierarquia não haverá respeito, sem respeito não haverá disciplina; sem disciplina não haverá ordem, sem ordem não haverá equilíbrio. Sem equilíbrio não haverá vida (continuidade). Por este ângulo, percebe-se a importância da hierarquia na perpetuação de uma ‘família kung fu’, onde o mestre (sifu) é o responsável pela veiculação de um estilo. O sifu é a autoridade máxima dentro de uma família-kung fu, seguido pelos seus alunos e discípulos.
De acordo com a tradição, o Aluno Novato deve obediência ao Aluno Mais Velho, que deve obediência ao Grande Aluno Mais Velho, que deve obediência ao ‘Aluno Discípulo’, que deve obediência ao seu Sifu (mestre-pai).
A hierarquia deve ser alimentada para que a arte não perca sua essência. Os bons hábitos devem de início, ser uma obrigação para que com o tempo se tornem naturais. O aluno mais velho deve servir de exemplo aos mais novos que, mais tarde, servirão de espelho aos recém chegados. Como diz o dito popular, o hábito faz o monge.
O bom aluno (de boa conduta, disciplinado e esforçado) tem mais chance de ser um bom professor. Enquanto que um aluno indisciplinado, de péssima conduta tem mais chance de ser um professor problemático, irresponsável.
É de cedo, enquanto o bambu ainda é jovem que deve se moldá-lo ao modo correto, na forma desejada. É de cedo, quando ainda jovem que o aluno praticante deve experimentar o caminho da retidão, da boa conduta; educado nos princípios filosóficos da arte marcial escolhida.

Fonte: /www.deterrawingchun.com/wingchun.html

domingo, 24 de outubro de 2010

Ensinamentos.

Buda desenvolveu muitos métodos tácticos para levar as pessoas a abandonarem os apegos das suas mentes discriminadas (que ele via como a fonte dos problemas). Explicou por que agia desta forma, através da parábola da casa em chamas:
Numa cidade de um determinado país, havia um grande ancião, cuja casa era enorme, mas só tinha uma porta estreita. Esta casa estava muito estragada e um dia, de repente, irrompeu um grande incêndio que rapidamente começou a se alastrar. Dentro da casa estavam muitas crianças, e o ancião começou a implorar para que saíssem. Mas todas estavam absortas nas suas brincadeiras
e, embora tudo levasse a crer que iriam morrer queimadas, elas não prestaram a menor atenção ao que o ancião dizia e não mostravam pressa de sair.
O ancião pensou um momento. Como era muito forte, poderia colocar todas dentro de um caixote e tirá-las rapidamente. Mas, depois, viu que, se o fizesse, algumas poderiam cair e se queimar. Por isso, resolveu alertá-las sobre os horrores do incêndio, para que saíssem por sua livre e espontânea vontade.
Aos gritos, pediu que fugissem imediatamente, porém as crianças deram uma olhada e não tomaram conhecimento.
O grande ancião lembrou-se que todas as crianças queriam carroças de brinquedo e, assim, chamou-as dizendo que viessem depressa ver as carroças de bodes, veados e bois que tinham chegado.
Ao ouvirem isto, as crianças finalmente prestaram atenção e caíram umas sobre as outras, na ânsia de saírem, fugindo, desta maneira, da casa em chamas. O ancião ficou aliviado por terem escapado ilesas do perigo, e, quando elas começaram a perguntar pelas carroças, deu a cada uma não aquelas simples que elas queriam, porém carroças magnificamente decoradas com objectos preciosos, puxadas por grandes novilhos brancos.
O simbolismo desta estória talvez esteja bastante óbvio. O ancião é Buda, a casa em chamas é a natureza da existência que Buda chamou de ‘Duka’ (isto é, incapaz de dar uma satisfação duradoura, porque, em todos os aspectos, é inconsistente e transitória). As crianças são a humanidade e suas brincadeiras representam as diversões mundanas com as quais estamos tão ocupados que, muito embora estejamos vagamente conscientes da vida e do verdadeiro Self, não prestamos atenção para isto. As carroças de bode, veado e boi são os métodos de ensino temporários, na realidade o ‘chamariz’ através do qual Buda pode nos fazer escutar e começar a praticar o Dharma, e as carroças magníficas, puxadas por grandes novilhos brancos, representam a própria Iluminação, para a qual Buda só nos conduzirá se tiver nossa cooperação e entrega.