domingo, 24 de outubro de 2010

Balance.

Um problema comum entre os iniciantes nas artes marciais é a concentração. Conseguir limpar a mente dos pensamentos que atrapalham uma boa aplicação da técnica é muito difícil de início e tende a interferir em todo aprendizado. Para conseguirmos entender melhor os conceitos necessários para desenvolver algumas habilidades que desenvolvam a nossa concentração eu vou entrar em alguns aspectos que apesar de não dominar muito, posso arriscar algumas palavras. Nas culturas orientais, ao contrário das do ocidente que são mais divulgadas é comum a união fundamental do corpo e da mente, assim como no conceito de equilíbrio do yin e yang, espírito e matéria ou macho e fêmea, que participam da dança universal de todas as coisas.  No oriente a sabedoria tem pouco valor se não for ao mesmo tempo um fenômeno sensorial e mental que participa diretamente no desenvolvimento espiritual e intelectual de cada individuo, assim como sua saúde do corpo em equilíbrio, em algumas meditações básicas o praticante se concentra nas sensações corporais primárias.
  Hoje em dia sabemos que para a prática correta das artes marciais é preciso que o indivíduo se dedique não só nos aspectos físicos, mas sim na inicialização da cura mental das feridas encontradas em nossa psique. Com o respaldo de descobertas cientificas sobre a dualidade do cérebro humano podemos nos aprofundar nesses conceitos e entender melhor o nosso funcionamento, observando que a parte direito e a esquerda do cérebro tem funções distintas: O hemisfério esquerdo do cérebro controla o aspecto conceitual, racional e verbal, enquanto o hemisfério direito controla a dimensão intuitiva, artística e não verbal. Isso comprova a importância da aplicação de outros conhecimentos nas artes marciais que ajudam a entender a dualidade de nossa própria natureza. Sabendo disso é necessário o estimulo de dois pontos vitais para o desenvolvimento e equilíbrio de nossas energias, o ponto da cabeça e do ventre.  A maioria de nós durante a prática de artes marciais começa a perceber que em nossa cultura é comum valorizar uma parte dessa dualidade, enquanto a outra parte fica subvalorizada. Ao menosprezar a parte do ventre, por considerarmos incapaz e insignificante estamos criando um desequilíbrio perigoso, assim como quando nós privamos o princípio da cabeça de seu complemento natural, este se torna rígido, violento, espiritualmente vazio, inseguro e estável. Essa privação que a mente sofre é refletida na forma de tensões, neuroses e muitos outros males.
  A contraparte disso é quando subvalorizamos o princípio do ventre, que reprimido tenta continuamente retomar o equilíbrio harmonioso,e ao encontrar resistência se distorce, perdendo seu caráter natural. Essa distorção se manifesta muitas vezes com a dureza e o peso do individuo, que se torna incapaz de se movimentar com leveza e fluidez o que muitas vezes leva ao descontrole se manifestando com emoções e sensações negativas. A primeira vista pode parecer que se trata apenas de um conflito entre extremos que ao terem sua autoridade abalada pelo oposto se sentem ameaçados. A eterna guerra entre a razão e a emoção não deve ser entendida unicamente como um conflito natural, para nós praticantes é importante entender que buscamos a verdade, essa verdade está localizada num centro, num equilíbrio e por mais tentador que seja acreditar mais em determinado aspecto do que outro é de extrema importância que encontremos o balanço de tudo, procurando a integração das duas partes. A neurofisiologia tem descoberto que, apesar das partes esquerda e direita do cérebro terem funções especificas, nas atividades normais ambas intervêm ativamente, observando também que à medida que nós aumentamos a nossa atividade cerebral (seja através da meditação ou psicoterapia) os eletro encefalogramas, ou seja, as representações das ondas cerebrais, vão tornando-se mais simétricas e os dois hemisférios acabam tendo a mesma estrutura harmoniosa e limpa. Dessa forma eu quis tentar introduzir a idéia de equilíbrio através da concentração, da limpeza de nossa mente e espírito para o aprimoramento da energia equilibrada e mais pura, que muitos acham se tratar de um novo tipo de energia que surge ao se atingir esse equilíbrio, como conheço pouco do assunto não vou me arriscar muito sobre esse terceiro ponto que seria focado no coração, mas deixo a porta aberta para que possamos discutir o assunto e trocar conhecimentos com relação não só a esse tema, mas como qualquer coisa ligada que possa contribuir de forma positiva ao nosso entendimento.   

Por: Rubem de Souza A. Neto

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

É preciso acreditar.

  Quando percebemos que alguns aspectos que agregamos inconscientemente em nossas vidas não são tão importantes como achávamos, algumas coisas começam a fazer mais sentido do que outras, dando espaço para uma nova forma de enxergar o nosso universo. Por muito tempo caminhamos sozinhos pelo vale das sombras, sem sequer perceber que caminhamos em círculos, buscamos atalhos para lugares que sequer existem e acabamos por nos perder ainda mais. Tentamos nos fazer acreditar que essas coisas são comuns, são coisas que acontecem na vida de todo mundo. É normal na sociedade, são coisas que acontecem para nos deixar mais fortes, mais “espertos”. Mas, de repente encontramos o amor em alguma esquina dessas, percebemos como existe muito mais a aprender com isso, e por sua vez enxergamos o quanto à vida que aceitamos nos é cruel, mas não comum, não como deveria ser.
  Quando percebemos o valor que existe na simplicidade de estar vivo, na respiração e no que sonhamos, de certa forma nos conquistamos o inimigo. Descobrimos que o amor chega para qualquer um, independente de qualquer coisa, o amor cruza todas as linhas e supera qualquer limitação. Não devemos sujeitar nossas crenças e expectativas em favor de um mundo forjado pelo egoísmo e a guerra, não devemos submeter nossa fé por acharmos que somos fracos, pequenos ou poucos. A luta pela conquista do bem é diária e cansativa, não podemos perder nunca a esperança de enfrentar a inveja e o egoísmo, pois o escudo da fé é forjado pelos golpes dos descrentes. É isso que nos diferencia, nos torna mais fortes, mais experientes, mais amáveis conosco, com as pessoas a nossa volta e o nosso mundo.

Por: Rubem de Souza A. Neto

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Charlatões.

No final dos anos 60 e início dos 70, quando Bruce Lee apareceu pela primeira vez nos filmes de Artes Marciais, sua reputação cresceu rapidamente, proporcionalmente aos seus expressivos socos e chutes. Pessoas do mundo inteiro começaram a conhecer o Kung Fu. O kung Fu tornou-se moda, e muitas pessoas iniciaram as suas buscas por academias, matriculando-se em qualquer escola que encontravam. Mas, o kung Fu continuava a ser um mistério, e essas pessoas não podiam reconhecer nele uma arte genuína. Desta forma, alguns charlatões, sem verdadeira qualificação, começaram a ensinar “kung Fu” visando ganhar dinheiro. Alguns deles, que tiveram uma base em artes marciais japonesas ou coreanas, e talvez uma pequena experiência em algum estilo chinês, modificaram os seus estilos ou os nomes dos mesmos, denominando-se “Faixas Pretas” ou “Faixas Vermelhas” em kung Fu. No entanto, kung Fu não requer originalmente sistema de faixas que diferencie o grau de praticante. O sistema de faixas coloridas foi desenvolvido mais recentemente por razão de classificação (e em alguns casos, por razões comerciais), e não necessariamente identifica o grau do praticante. Tradicionalmente, verdadeiros “Mestres” ou “Grão-Mestres” nunca devem se apresentar como tal, expressando ou escrevendo tais títulos. Humildade e esforço são essenciais para melhorar o sentido de um verdadeiro artista marcial, o qual deve reconhecer que sempre tem mais a aprender e aperfeiçoar em seus estudos e pesquisas. Além disso, se o próprio professor ainda estivesse vivo, seria
considerado vaidade e desrespeito á auto-intitulação como “Mestres” ou “Grão-Mestres”. Alguns indivíduos inventaram novas formas, e declararam que estas eram antigas e secretas, e disseram que eram as únicas pessoas a ensiná-las no mundo. Outros tentaram dizer aos seus alunos que conheciam algumas formas secretas, que seriam passadas somente para discípulos “Closed Door”. Eles cobravam taxas exorbitantes para que os alunos aprendessem tais formas. Embora o termo “Closed Door” tenha existido há séculos, nunca se sustentou uma relação de rápido retorno financeiro. Na verdade, consistia em passar a arte para
os alunos mais devotados. Recentemente, em alguns casos, alguns professores raspam as cabeças e se declaram monges Shaolin, nascidos e educados no Templo. No entanto, estes “monges de papel”, na verdade, têm famílias esperando por eles na China para sustentá-las. Outros ainda, com pequena experiência, declaram ser descendentes diretos do fundador da arte somente para vender “credibilidade”, em séries para vídeos ou livros.

Origem do Kung Fu

  A origem do Kung Fu, como o conhecemos hoje, está relacionada, de um lado, ao
militarismo do povo chinês, e de outro, a vinda de Bodhidharma da Índia para a
China. Quanto ao militarismo, ou ao espírito guerreiro do povo chinês, as
explicações são controvertidas. Alguns atribuem este "espírito guerreiro do povo
chinês", primeiro a grande extensão do território, que dificultava a proteção das
fronteiras, segundo as invasões estrangeiras que obrigavam os imperadores a
manterem grandes exércitos, terceiro as guerras internas entre os "senhores
feudais" e os imperadores. Não nos parece que um povo se restrinja aos
governantes com seus exércitos; de modo que não parece correta a proposição
que atribui a origem do kung fu ao militarismo do povo chinês. Há ainda outro
fator: a miséria e a superpopulação. A maioria não tendo nada, matava por um
prato de comida, e o restante era obrigado a defender o pouco que possuía com a
própria vida. O argumento é que este estado de miséria gerou um interesse
natural do povo pelas artes marciais. De um lado, a necessidade dos imperadores
de manterem grandes exércitos, de outro, o interesse do povo pelas artes
marciais, gerado pela necessidade de garantir a sobrevivência. A necessidade de
defender o território e pouca preocupação com a vida, de um lado e, de outro, a
necessidade de sobreviver e nenhuma preocupação com território.
  Um fato histórico onde se pode verificar uma certa manifestação do espírito
guerreiro do povo chinês, foi a revolução dos boxers, onde a população e certas
lideranças políticas estiveram unidas contra os desmandos do governo envolvido
em corrupção e tráfico de ópio. No entanto, os boxers insuflam o povo à revolta,
apelando muito mais para um espírito nacionalista do que para sua consciência de
povo, conforme demonstra um dos cartazes afixados em Pequim na noite inicial
da revolta, o qual reproduzimos abaixo.

"O Santo imperador Chu Hung Tang avisa a todos os discípulos de Budha: morte
aos demônios do oeste que oprimem nosso país escarrando sobre nossos deuses
e roubando nossas riquezas. O grande momento já foi escolhido pelo destino. O
céu não permitirá que aqueles que violaram tantas sepulturas para abrir caminho
para suas máquinas de ferro e que tomaram a força às terras dos filhos do sol
escapem à condenação de seus crimes. Insolentes como são, esses bárbaros não
recuam diante de nada. É por essa razão que nós, membros da Sociedade
Harmoniosa do Punho Fechado, membros da arte marcial chinesa, da justiça e da
concórdia, o convidamos a massacrá-los sem piedade no cair desta noite".

  O texto deste cartaz indica bem o espírito nacionalista da apelação. Este espírito
não tem seu fundamento nas artes marciais, nem tampouco é este espírito um
fundamento para as artes marciais. Pensamos que não dá para atribuir a origem
das artes marciais, na china, a um espírito próprio de seu povo, mas a um
conjunto complexo de fatores que, decerto, inclui também este espírito.
Chamamos a atenção também para a noção incorreta do termo povo, na
expressão "espírito guerreiro do povo chinês", no contexto que anunciamos aqui.

domingo, 17 de outubro de 2010

O sentimento Dúvida.

 Você sabe, eu não vou chorar novamente, eu não quero chorar novamente e jamais verei sua face. Você viu, provou dos meus olhos, de toda raiva que eu pude sentir, sabia das feridas que me havia causado, mas agora, eu não vou cair novamente, pois eu não quero saber o seu nome, não quero tentar novamente, não quero machucar novamente, não me deixe ver você machucada, não se permita machucar, pois não quero que você morra novamente. Não quero fugir, não quero mentir, não quero surgir e nem partir, apenas estar, aqui. Pois você me vê, enxerga o que há em meus olhos, mas continua mentindo sobre tudo. Eles vão colocar outros nomes nessas palavras, mas você, a verdadeira, nunca vai saber de quem estou falando, pois o mundo das outras vai girar no umbigo delas e elas vão dizer, é de mim que ele fala.
  O que eu posso dizer? Você se sente perseguida, caçada, oprimida na profundidade dos seus pensamentos, tudo isso é apenas medo, uma presa que se debate ferindo tudo que está a sua volta, mas que tolice, antes de dormir vai estar só com seus pensamentos, lamentos. Tenho pena de você, meu sentimento mais impuro, guardada dentro de mim você reluta em aceitar a verdade, acha que é pessoa, que pensa e que sente, mas é só um sentimento, questão de tempo. Você pode sentir prazer, mas se sente tão péssima por ser o que é, apenas um vislumbre do todo, uma foto preto e branco de uma paisagem na primavera.
  Eu vi você recuar, vazia e com dor, desejando não ter escutado aquela canção, horrível canção, não. Jurou nunca mais levantar, nunca mais viver, nunca mais me ver, não me deixar viver, mas eu vou forçar sua mão contra meu coração e você vai ler na primeira página do meu espírito o quanto me impediu de ver o que eu queria ser. Notei que seus joelhos dobravam e enquanto tremia os sinos tocavam, não queria dizer adeus, não sabia se era um adeus, teve medo dos sinais, dos sons anormais, então vomitou simplesmente se afogou.

Por: Rubem de Souza A. Neto

Reflexão.

  Lidar com o que somos e o que sentimos é um tema bem vasto, dá pano pra muita manga e a parte boa é que se você inventar um pouco ou omitir detalhes ninguém vai perceber muito a diferença. Também não quer dizer que sendo honesto e verdadeiro na medida do possível eu venha a relatar perfeitamente tudo que sentimos e acreditamos, muito menos de forma mais singular alguém poderia descrever uma personalidade baseada em meros textos ou relatos descabidos de total realidade, em sua totalidade.
  Pensar em refletir é algo meio irônico de se pensar, pior é refletir sobre pensar em refletir, peraí... É, isso mesmo. Continuando, saber o que significa de verdade o sentir e seus propósitos é tão simples e ao mesmo tempo tão complicado, muitas vezes nos pegamos perdidos em mais pensamentos do que deveríamos e isso complica muito o modo que vamos estruturar nossas idéias para chegar num ponto mais confortável de nos entendermos.  Mas a idéia básica deve ser mais ou menos por aí, você pega um pré-conceito e começa a trabalhar a idéia na sua cabeça, relendo os indícios de verdade e seus possíveis sinais de realidade com o que estamos tentando concluir, depois você destrói tudo que tinha pensado e se questiona diretamente, se não houver problema para você assimilar a questão é porque você conseguiu transformá-la na sua verdade pessoal. Podíamos até brigar com outras pessoas para defender essa idéia de tão confortável que ela se veste em nossas mentes limitadas. O problema é que outras pessoas vestem outras idéias, identificam outros códigos, outras realidades.
  Refletir sobre como isso afeta o outro e de que forma posso tornar a minha idéia mais confortável para as pessoas que estão a minha volta é um dos primeiros passos para se pensar coletivamente e estimular as pessoas a fazer o mesmo, refazer seus conceitos de forma mais agradável, mantendo espaço suficiente para que se questionem não só as idéias, mas seus métodos de concepção, desde que venham reformadas para o todo, não para defesa da parte ou da metade, seja ela majoritária ou minoritária. Tudo isso se tornou utópico, pois há muito tempo deixamos de pertencer ao mesmo plano, cada um tem seu plano para realidade, o que acaba por se afastar mais e mais da idéia primordial de se conquistar o equilíbrio, sem entrar na concepção de bem e mal, mas aceitando isso como parte de nossa natureza humana, sem ver como fraqueza aquilo que fazemos por um bem comum, mesmo que seja impossível agora a tentativa é válida em todos os aspectos, mesmo parecendo tão incomum.

Por: Rubem de Souza A. Neto

sábado, 16 de outubro de 2010

Não vá esperar...


  Mas eu não quero esperar por algo que aconteça hoje e que talvez nunca aconteça novamente. Não quero esperar por um dia apenas, um dia para saber se deveria ou não ter esperado, afinal o que é valer a pena nessas horas? Não importa saber se magoamos ou já fomos magoados o suficiente, eu não quero saber disso e eu apenas não quero esses jogos, sem mais jogos com minha pele. É bom relembrar nossas vozes, nossas chances e nossas escolhas, é bom saber que elas sempre estiveram lá e sempre continuarão estando de um modo ou de outro, mudando, mas permanecendo iguais enquanto estiverem e tiverem que ser, por assim dizer.
  É simples, eu apenas não quero esperar por essa noite, o que fazer e até o que poderia dizer. Eu não sei se o que estou escrevendo é certo ou errado, talvez isso não exista, pode ser uma forma de escapar do tempo, mas não da sua existência. Não vou esperar para saber, apenas saberei se souber um dia, vou me movendo para frente como um exército em marcha para a guerra. Eu não estou tentando dizer que não pensar é uma forma justa de manter-se vivo e feliz talvez isso possa te manter feliz, pois segundo alguns sábios a ignorância é uma dádiva e trás felicidade, mas muitas das coisas que conseguimos não nos veio gratuitamente, elas foram conquistadas.
  Também não espero que tudo que quis dizer seja entendido, não ia ter essa pretensão, por mais tentadora que pareça ser a idéia. Liderar meus pensamentos de forma mais organizada nunca foi tarefa fácil, mas o que me conforta é sentir e relembrar cada dia da minha vida com um sentido simples, sem enganar minha consciência, tentando enxergar todos como iguais ao seu modo. Esperar para mim é algo que não conseguiria satisfazer meu espírito, que preso estaria repetindo diversas vezes a mesma coisa e contando com sorte ou forças divinas, não estou dizendo que isso não funcione algumas vezes comigo ou que eu não acredite em Deuses, mitos e lendas. Apenas acredito que se não fizer nada com minha vida e pelo meu povo de nada teria adiantado a existência de Deus e na verdade, fazer alguma coisa para mim pode ser bastante diferente do que é na realidade que você aprendeu a viver, se acostumou a ser. 

Por: Rubem de Souza A. Neto