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domingo, 5 de dezembro de 2010

Pó.

  Com o passar do tempo muitas coisas mudam, os tempos mudam, nosso jeito de vestir acaba mudando, o modo com que usamos nosso tempo muda e em conseqüência dessas várias mudanças acaba não se tornando difícil imaginar que nosso modo de pensar acabe se alterando, ou no mínimo acabamos sofrendo alguma interferência do mundo exterior. Questionamos ou pelo menos deveríamos questionar essas mudanças, filtrando o que mudamos para melhor e jogando fora a mudança que poderia interferir de forma negativa no nosso modo de ver. O tempo hoje corre tão depressa que não conseguimos processar todas essas mudanças que passamos e acabamos inventando um jeito mais rápido para lidar com elas sem dedicar muita atenção as pequenas coisas, e é nesse momento que as poeiras negativas passam despercebidas pelos nossos filtros morais, acabando como manchas negras de aglomerados.
  Não podemos nos acomodar para esses pequenos detalhes, pois por menores que sejam acabam se juntando, parte a parte, criando aquela idéia da bola de neve. O pior nisso é que acabamos muitas vezes não percebendo esse pó negativo que se acumula de partícula em partícula no nosso ser, mudando aos poucos a forma como nós percebemos o mundo, o outro e nós mesmos.  É preciso de vez em quando parar tudo que estamos fazendo, e pelo menos por alguns breves minutos analisar o caminho que estamos seguindo e as escolhas que vamos tomar. Refletir é a chave para sabedoria, quando conseguirmos anexar essa prática no nosso dia-a-dia como parte importante de nós, estaremos não só nos ajudando, mas também ajudando a curar o mundo que estamos criando com nossas atitudes e formas de pensar. 

Por: Rubem de Souza Almeida Neto.

domingo, 17 de outubro de 2010

O sentimento Dúvida.

 Você sabe, eu não vou chorar novamente, eu não quero chorar novamente e jamais verei sua face. Você viu, provou dos meus olhos, de toda raiva que eu pude sentir, sabia das feridas que me havia causado, mas agora, eu não vou cair novamente, pois eu não quero saber o seu nome, não quero tentar novamente, não quero machucar novamente, não me deixe ver você machucada, não se permita machucar, pois não quero que você morra novamente. Não quero fugir, não quero mentir, não quero surgir e nem partir, apenas estar, aqui. Pois você me vê, enxerga o que há em meus olhos, mas continua mentindo sobre tudo. Eles vão colocar outros nomes nessas palavras, mas você, a verdadeira, nunca vai saber de quem estou falando, pois o mundo das outras vai girar no umbigo delas e elas vão dizer, é de mim que ele fala.
  O que eu posso dizer? Você se sente perseguida, caçada, oprimida na profundidade dos seus pensamentos, tudo isso é apenas medo, uma presa que se debate ferindo tudo que está a sua volta, mas que tolice, antes de dormir vai estar só com seus pensamentos, lamentos. Tenho pena de você, meu sentimento mais impuro, guardada dentro de mim você reluta em aceitar a verdade, acha que é pessoa, que pensa e que sente, mas é só um sentimento, questão de tempo. Você pode sentir prazer, mas se sente tão péssima por ser o que é, apenas um vislumbre do todo, uma foto preto e branco de uma paisagem na primavera.
  Eu vi você recuar, vazia e com dor, desejando não ter escutado aquela canção, horrível canção, não. Jurou nunca mais levantar, nunca mais viver, nunca mais me ver, não me deixar viver, mas eu vou forçar sua mão contra meu coração e você vai ler na primeira página do meu espírito o quanto me impediu de ver o que eu queria ser. Notei que seus joelhos dobravam e enquanto tremia os sinos tocavam, não queria dizer adeus, não sabia se era um adeus, teve medo dos sinais, dos sons anormais, então vomitou simplesmente se afogou.

Por: Rubem de Souza A. Neto

Reflexão.

  Lidar com o que somos e o que sentimos é um tema bem vasto, dá pano pra muita manga e a parte boa é que se você inventar um pouco ou omitir detalhes ninguém vai perceber muito a diferença. Também não quer dizer que sendo honesto e verdadeiro na medida do possível eu venha a relatar perfeitamente tudo que sentimos e acreditamos, muito menos de forma mais singular alguém poderia descrever uma personalidade baseada em meros textos ou relatos descabidos de total realidade, em sua totalidade.
  Pensar em refletir é algo meio irônico de se pensar, pior é refletir sobre pensar em refletir, peraí... É, isso mesmo. Continuando, saber o que significa de verdade o sentir e seus propósitos é tão simples e ao mesmo tempo tão complicado, muitas vezes nos pegamos perdidos em mais pensamentos do que deveríamos e isso complica muito o modo que vamos estruturar nossas idéias para chegar num ponto mais confortável de nos entendermos.  Mas a idéia básica deve ser mais ou menos por aí, você pega um pré-conceito e começa a trabalhar a idéia na sua cabeça, relendo os indícios de verdade e seus possíveis sinais de realidade com o que estamos tentando concluir, depois você destrói tudo que tinha pensado e se questiona diretamente, se não houver problema para você assimilar a questão é porque você conseguiu transformá-la na sua verdade pessoal. Podíamos até brigar com outras pessoas para defender essa idéia de tão confortável que ela se veste em nossas mentes limitadas. O problema é que outras pessoas vestem outras idéias, identificam outros códigos, outras realidades.
  Refletir sobre como isso afeta o outro e de que forma posso tornar a minha idéia mais confortável para as pessoas que estão a minha volta é um dos primeiros passos para se pensar coletivamente e estimular as pessoas a fazer o mesmo, refazer seus conceitos de forma mais agradável, mantendo espaço suficiente para que se questionem não só as idéias, mas seus métodos de concepção, desde que venham reformadas para o todo, não para defesa da parte ou da metade, seja ela majoritária ou minoritária. Tudo isso se tornou utópico, pois há muito tempo deixamos de pertencer ao mesmo plano, cada um tem seu plano para realidade, o que acaba por se afastar mais e mais da idéia primordial de se conquistar o equilíbrio, sem entrar na concepção de bem e mal, mas aceitando isso como parte de nossa natureza humana, sem ver como fraqueza aquilo que fazemos por um bem comum, mesmo que seja impossível agora a tentativa é válida em todos os aspectos, mesmo parecendo tão incomum.

Por: Rubem de Souza A. Neto

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

É tempo de mudança.


  Por que certos sentimentos que antes estimulavam nossas emoções de um dia para o outro se tornam tão superficiais? Parece-me que muitas vezes nos escondemos em armaduras confortáveis e nem percebemos que aprisionamos as coisas que têm valor real em tudo que acreditamos no íntimo. É quando percebemos que aquela garota que antes despertava nosso desejo, agora, ficou cheia de defeitos, ou quando aprendemos que conversar sobre algo interessante e se perder em boas gargalhadas pode ser mais importante do que contemplar um belo rosto durante um jantar. Na verdade, não percebemos que ainda mais importante é estar bem com você, com quem você é, e quem quer ser. Sua dedicação para essa construção diária é muito importante e, muitas vezes, o desconforto da saudade e o peso do passado pode vir a ser um elemento positivo que nos guia pelos oceanos que exploramos durante nossa jornada na Terra.
  Nossas experiências de vida não vão estar conosco para nos tornar mártires ou monstros; não devemos deixar que estas coisas sejam mais do que apenas aparentam ser, dando oportunidade para sentimentos que nos impedem de enxergar o caminho à frente, nos forçando a olhar sempre um pouco mais para trás, tentando decifrar o porquê de algo que nem sempre é simples de se entender, ou que mereça ser entendido nesse momento. Afinal, teremos um bom tempo da nossa velhice para nos dedicarmos a essas reflexões, que não passam disso, pois ainda não temos capacidade de alterar o passado.  Então é com o nosso futuro que devemos lidar. Podemos escolher sempre entre: quem podemos ser, o que queremos ser e o que os outros esperam de nós; desejar é coisa fácil, difícil é começar a caminhar e manter o estimulo por tempo suficiente para perceber que podemos correr e, até, quem sabe, voar...
  O tempo da mudança virá não como uma tempestade estrondosa ou um amor incontrolável e infalível. Mas sim, como um silêncio tenebroso e cheio de questionamentos. O tempo da mudança será o mais difícil de todos que podemos passar, pois ele virá no momento mais inoportuno, onde estaremos sozinhos com nossos pensamentos. Ele poderá durar dez segundos ou dez dias, mas será sempre carregado de noites silenciosas e conflitantes, dias sem sentido e sem idéias do que é o futuro.


Por: Rubem de Souza A. Neto