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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Cavalo de Tróia.


  Eu acho tão difícil isso, ou será um obstáculo apenas? Se amanhã já tiver ido, com certeza então caberá só a mim esquecer tudo que disse  e também aquilo que preferi guardar. Mesmo que as pessoas digam que isso é fraqueza, ninguém precisa saber quanto tempo eu levei para descobrir esse sentimento. É que eu acho que gosto de saber como é sofrer, eu me disponho a observar meu coração se tornando abstrato e fugaz. Ganhando ou perdendo, isso só vai fazer diferença para mim e no final ainda posso dizer que faz parte da experiência, nobre pensamento não é?
  Depois de refletir sobre tudo que nós costumamos indagar para as estrelas, percebemos que fizemos exatamente o que esperávamos fazer. Aquele pensamento de tédio se aproxima e nesse momento observamos o quanto tudo é tão previsível, então as lágrimas tomam o lugar das ilusões, se passam horas, dias, semanas e meses, mas de repente tudo aquilo some. Envergonhados nos levantamos do chão chamuscados de poeira e cobertos de um remorso incontestavelmente gélido, para não dizer corrosivo. Percebemos que a idéia que temos em nossas cabeças não tem a mínima obrigação de existir, persistir.
  Eu gosto tanto de sofrer que às vezes é complicado de esconder, das muitas Helenas que cultivei amor poucas foram sonhadas. É o preço que se paga por Troia existir em meu coração. Caíram cidades e muros sob meus amores, essas dores no meu calcanhar, Aquiles. Isso vai embora sem nos dizer muito, ficam só umas breves memórias que se confundem com minha fértil imaginação de sertão. Se você não for nada disso, caberá só a mim perceber que os meus sonhos e meus desejos, ninguém precisa saber.

Por: Rubem de Souza Almeida Neto.

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

É preciso acreditar.

  Quando percebemos que alguns aspectos que agregamos inconscientemente em nossas vidas não são tão importantes como achávamos, algumas coisas começam a fazer mais sentido do que outras, dando espaço para uma nova forma de enxergar o nosso universo. Por muito tempo caminhamos sozinhos pelo vale das sombras, sem sequer perceber que caminhamos em círculos, buscamos atalhos para lugares que sequer existem e acabamos por nos perder ainda mais. Tentamos nos fazer acreditar que essas coisas são comuns, são coisas que acontecem na vida de todo mundo. É normal na sociedade, são coisas que acontecem para nos deixar mais fortes, mais “espertos”. Mas, de repente encontramos o amor em alguma esquina dessas, percebemos como existe muito mais a aprender com isso, e por sua vez enxergamos o quanto à vida que aceitamos nos é cruel, mas não comum, não como deveria ser.
  Quando percebemos o valor que existe na simplicidade de estar vivo, na respiração e no que sonhamos, de certa forma nos conquistamos o inimigo. Descobrimos que o amor chega para qualquer um, independente de qualquer coisa, o amor cruza todas as linhas e supera qualquer limitação. Não devemos sujeitar nossas crenças e expectativas em favor de um mundo forjado pelo egoísmo e a guerra, não devemos submeter nossa fé por acharmos que somos fracos, pequenos ou poucos. A luta pela conquista do bem é diária e cansativa, não podemos perder nunca a esperança de enfrentar a inveja e o egoísmo, pois o escudo da fé é forjado pelos golpes dos descrentes. É isso que nos diferencia, nos torna mais fortes, mais experientes, mais amáveis conosco, com as pessoas a nossa volta e o nosso mundo.

Por: Rubem de Souza A. Neto