quinta-feira, 19 de julho de 2012

O mangue da Torre.


"Entre os muitos fantasmas que assombram o Capibaribe, um provoca arrepios nos moradores do bairro da Torre - mais especificamente nos que residem em edifícios próximos aos manguezais que existem nas margens daquele trecho do rio mais importante da capital pernambucana. Eles deram o nome de "Pai do Mangue" ao horripilante fantasma.

O lugar é bem conhecido dos recifenses. Na margem do rio que fica do lado da Torre, há um ponto onde barqueiros fazem a travessia das pessoas que precisam chegar ao outro lado, no cais do bairro da Jaqueira. Isso durante o dia. Quando cai a noite, o local fica deserto e sombrio. É aí que vizinhança percebe a presença sinistra do Pai do Mangue.

Dizem que ele se faz notar com uma risada estridente e cavernosa, "como se fosse a gargalhada de uma bruxa, que vai levar sua alma", revelam alguns. Não se pode definir a origem do som misterioso - ecoa como se viesse do meio dos arbustos que crescem por alí. E o fenômeno se repete sempre por volta da meia-noite.

Nessa hora, quase todos os moradores da área se escondem em seus apartamentos, assustados com o ruído sobrenatural. Uns poucos já se atreveram a tentar descobrir de onde vem a tal gargalha. Na maioria das vezes, nada viram e voltaram apavorados.

Mas um grupo de rapazes, que ousou fazer a investigação na noite de uma sexta-feira 13, testemunhou a aparição de uma estranha figura por entre emaranhado de galhos e folhas típico da vegetação rasteira do mangue. Segundo eles, era um senhor negro, de cabelos brancos e roupas claras - uma figura que lembrava um pescador. A expressão no rosto era de poucos amigos. Durante alguns segundos, ele chegou a perseguir a turma, para depois desaparecer na escuridão, como que por encanto.

Quem seria o Pai do Mangue? Os moradores daquelas bandas já desistiram de querer desvendar esse mistério e procuram conviver em paz com o tal fantasma."

terça-feira, 17 de julho de 2012

A hora do chá.


O que é o tempo, se não uma interpretação esdruxulista da manipulação humana. Nós, desde que acordamos até quando vamos dormir somos bombardeados pela retórica desgastante do tempo. Mas o que seria do homem se não houvesse tempo, tempo para comer, tempo para dormir e tempo para trabalhar? Você sabe que é "hora" de se alimentar quando sente fome, ao mesmo tempo, quando sentimos sono sabemos que é hora de dormir.Para mim o tempo é o inverso disso, para mim o tempo é a hora de acordar, um retorno para realidade, uma ancora imaginária.

Refletir sobre o tempo é fatalmente um desperdício de tempo, pois se concluísse-mos que o tempo deve existir, possivelmente perceberíamos frustrados que o tempo que perdemos para descobrir o obvio poderia ter sido empregado em outras tarefas. E, em contra partida se reconhecêssemos a totalmente desnecessária existência temporal desse tempo, ficaríamos angustiados com aquilo que perdemos. 

O que é o tempo então, se não uma reflexão introspectiva para interpretação da nossa realidade pobre e limitada. Tempo é o nome que se dá ao destino e a total inexistência desse mesmo destino, tempo é a dúvida irrefutável e a certeza irrefreável. O tempo, bem, o tempo é o calafrio da barriga, a angustia, o medo, a pressa, a paciência, o tempo é a peripécia e tolerância. O tempo é a morte e a vida, o tempo é o sustento da  solidão da mente, o tempo é o vácuo deixado pelo ente ausente, o tempo é a chuva, é a seca, é a sorte e o azar. O tempo é uma eternidade de segundos, enquanto um homem luta contra o afogamento do silencioso mar, o tempo é o tudo e o nada, visto de forma diferente e isolada por aquele sem tempo que o ousar decifrar.   

Por: Rubem de Souza A. Neto

quinta-feira, 29 de março de 2012

Horizontes e Fronteiras são iguais.

  Quero uma chave para abrir a porta, quero uma chance de tentar viver sem lamentar. Eu sei que o mundo me amedrontou e eu sei que pequei por hesitar, mas ainda sim poderia ser diferente, não um final diferente, mas um meio, meio termo.  Gostaria de materializar os pensamentos da minha cabeça, gostaria de poder cumprir as promessas que fiz, e me sentir orgulhoso por assim ser.

  Quero um momento de chuva intensa e restauradora. Águas límpidas que correm por entre as ramificações da minha alma, pois nem as coisas de que eu mais gosto conseguem me trazer alegria e nada do que me dizem me faz compreender esse dia. O meu amigo Fagner me disse que eu ainda sou bem moço para tanta tristeza, me disse para deixar de coisa e cuidar da vida, do contrário haveria a morte, ou coisa parecida. O problema é que ele esqueceu do som da melodia, ela reflete apenas melancolia, hipocrisia.

  Como poderia eu então não lamentar minhas falhas, como poderia eu não me espelhar sem sucesso nos meus amigos? Pobre verdade, é aquela certeira que você sabe que sairá do seu amigo, aquela palavra que soa como bálsamo de cura, temporariamente e paliativamente esquecível no exato momento em que fechamos a porta. Quando novamente estamos sós com nossos pensamentos frustrantes, o ululante lobo de face escura que se alimenta do nosso coração e que sem querer nos faz parecer diferentes, tão iguais, ou seriam mortais? E as nossas mulheres queridos amigos? Elas, que tentam nos entender sem sucesso, mágoas lançadas como flechas repartem nossas camas e tentamos de toda maneira nos guardar, como velhos tolos e egoístas fingimos ter a força que não dispomos  e a velha dor doida, sempre volta para ficar e incomodar.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Orcs.

Sociedade orc.
No convívio entre orcs a hierarquia é importante para manter a mínima ordem, mas entre eles não existem profissões ou postos mais ou menos dignos, tudo o que esta a baixo do chefe de guerra é igualitariamente tratado com o mesmo valor. Geralmente buscando enaltecer e dar continuidade as tradições familiares dos seus pais, os orcs mais jovens escolhem a mesma profissão e buscam alcançar o mesmo posto dos seus, mantendo assim uma continuidade e aprimoramento do conhecimento, que depois de algumas gerações é passado quase que instintivamente aos descendentes. Caberá sempre ao chefe de guerra delegar as tarefas aos seus subordinados, essas tarefas são levadas pelos “portadores da voz” que são os orcs mais velhos e sábios da horda, que tem a função de passar a vontade do chefe guerreiro para que seja cumprida.  Ao contrário do que se pensava esses orcs anciões não são chamados de portadores da voz por conduzir a vontade do chefe guerreiro aos outros orcs, mas sim por serem grandes xamãs em contato direto com o mundo espiritual, traduzindo a voz dos espíritos da terra e do fogo ancestral.
Os orcs xamãs são temidos pela sua capacidade de controlar bestas selvagens e manipular o fogo com a brutalidade de uma tempestade ou o poder curativo da terra. O chefe guerreiro é a figura central de uma horda de orcs, mas indiretamente são os xamãs quem controlam a impulsividade do chefe guerreiro através de conselhos e consultando os espíritos antes de um ataque. Para uma horda é sinal de mal presságio se um chefe guerreiro não escuta os espíritos e seus conselhos, por isso, um chefe guerreiro experiente sabe que precisa do consentimento dos seus xamãs se quiser realizar um ataque explorando a moral elevada das suas tropas. Recentemente um fato no mínimo inusitado salvou uma cidade élfica da devastação. Uma horda com quase cinco mil orcs recuou de uma vitoria certa ao perceber que seu chefe guerreiro, não escutando os conselhos dos espíritos, ordenou um ataque direto assim que avistou a cidade de Thal-vassar, onde os espíritos, através dos xamãs haviam dado o aviso de que a horda só deveria atacar ao amanhecer do terceiro dia de cerco. Arrematado por uma forte diarréia o chefe guerreiro tombou de febre, não sabendo ao certo se aquilo estava acontecendo por castigo dos espíritos ou pela carne de porco estragada, o chefe guerreiro ordenou a retirada do campo de batalha as suas tropas que obedeceram sem questionar, a cidade havia se salvado da destruição por um triz, e doze horas depois o chefe guerreiro Krokhar fora despedaçado pela horda que em seguida se fragmentou, debandando para floresta.

Por: Rubem de Souza Almeida Neto.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

O bairro da Torre.

A Rua Real da Torre
Que mistérios ocultas
Nos chalés mal-assombrados
Que os fantasmas alugais?    

     
Distribuídas por sesmarias, as terras do atual bairro da Torre ficaram abandonadas até os fins do século XVI, quando foram adquiridas por um rico colono português Marcos André, que ali fundou um engenho de açúcar, movido a animais, que passou a ser conhecido como engenho de Marcos André.
Em 1663, os holandeses apossaram-se do engenho de Marcos André, onde construíram uma grande fortaleza, capaz de atacar a artilharia do forte Real do Bom Jesus.
Com a derrota definitiva dos invasores em 1654, o então proprietário, capitão Antonio Borges Uchoa, descendente de Marcos André, restaurou o engenho, em 1655, e para melhorar a comunicação com suas terras, mandou construir uma ponte sobre o rio Capibaribe, na altura da foz do rio Parnamirim, ligando-as ao local chamado sítio Guardez, que depois da construção da ponte ficou conhecido como Ponte d`Uchoa, denominação que se conserva até hoje.
O engenho permaneceu como propriedade dos descendentes de Marcos André até 1715, quando então o seu dono Cristóvão de Holanda Cavalcanti, casado com uma Borges Uchoa, trocou-o pelo engenho Moreno, em Jaboatão, passando assim a pertencer à família Campelo, com a qual ficou até a sua extinção.
A denominação Torre provém da antiga capela do engenho, que manteve a primitiva invocação de Nossa Senhora do Rosário, tornando-se posteriormente a matriz da Paróquia. Foi reconstruída em 1781 e, em 1867, passou por uma nova e completa reforma. Em 1912, a então proprietária Laura Barreto Campelo, fez uma doação pública ao cabido de Olinda e Recife, do edifício da capela e algumas terras próximas, com a condição de que fosse a igreja-matriz do subúrbio, sob a mesma invocação de Nossa Senhora do Rosário.
A devoção por Santa Luzia, porém, cuja imagem centenária faz parte do patrimônio da matriz, fez com que ela seja hoje mais conhecida como Igreja de Santa Luzia, absorvendo sua invocação real de Nossa Senhora do Rosário.
Segundo Pereira da Costa, nas primeiras décadas do século XX a povoação era toda cortada de extensas e largas ruas, muito bem alinhadas, de boa casaria em geral, com elegantes prédios e grandes sítios, e não pequena população, notando-se ainda os seus estabelecimentos industriais, como fábricas de tecidos e de fósforos, usina de açúcar e destilação de álcool, olarias mecânicas e outras que ainda seguem o sistema da antiga rotina. É iluminada a gás, tem boa viação pública, tanto terrestre como fluvial, e uma linha de bondes elétricos.
Em 1884, foi instalado no local o Cotonifício da Torre, sofrendo o bairro grande influência dessa indústria têxtil, com grande movimentação de operários e o apito da fábrica que era ouvido também nos bairros adjacentes.
Por volta de 1900, foi instalada no bairro uma fábrica de aniagem (sacos de estopa), por Francisco Sales Teixeira, que também construiu próximo um casarão para sua residência e uma vila operária. Visando dar maior movimentação e dinamismo ao local, construiu ainda, por volta de 1910, entre o casarão e a vila, o Cine Teatro Modelo. A vila, com suas casas de taipa, meia parede, porta e janela, ficava situada na Rua Vitoriano Palhares. O casarão não mais existe, porém ficava localizado no número 1472 da Rua Real da Torre. No local da antiga fábrica encontra-se hoje o supermercado Carrefour.
Na década de 1930, foi inaugurado na rua Visconde de Irajá, o Cine Torre que teve dias de grande movimentação até os fins da década de 60, quando os cinemas de bairros foram sendo desativados. Hoje, no local, encontra-se um prédio residencial chamado Edifício Cine Torre.
Próximo à Praça da Torre, atualmente denominada Professor Barreto Campelo, um dos ilustres moradores do bairro, existia o chamado Campo do Arte, um famoso campo de futebol para peladas suburbanas, do Arte Clube da Torre. Atualmente, a área do campo e suas cercanias abrigam a vila de Santa Luzia.
Em dezembro, acontece no bairro a festa de Santa Luzia, um importante evento popular, com comidas típicas, pastoril e as novenas da Matriz, realizada na atual Praça Professor Barreto Campelo. Houve época em que a rua Visconde de Irajá ficava toda iluminada até a Praça.
Na rua Regueira Costa, na área onde hoje se encontra o colégio estadual Martins Junior, havia um campo aberto onde existia uma vacaria que abastecia, com leite fresco, toda redondeza.


Fonte: VAINSENCHER, Semira Adler. Torre (bairro, Recife). Pesquisa Escolar On-Line, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://www.fundaj.gov.br>. Acesso em: 06  de Abril de 2011.

Fábrica Capibaribe.

Hoje me lembrei dos muitos momentos vividos, senti saudade de uma época em que só pensamos em saber como seremos amanhã. Senti falta da minha infância e é engraçado como desejamos tanto ser adultos e quando chegamos à idade adulta, nós nos arrependemos de não poder ter esperado mais, muito mais. Lembrei-me das sextas feiras de noite, brincando na frente de uma velha fábrica que tinha na rua da minha casa, engraçado como às vinte horas da noite já parecia tão tarde para mim, quando ficávamos além desse tempo,até o cheiro da nossa rua mudava, parecia que tínhamos entrado em outro universo, mais silencioso, mais nosso.
Ao fechar os olhos por apenas alguns segundos, eu consigo ouvir a batida da chuteira na bola e o som das vozes ecoando no velho campo de futebol Capibaribe, sem me esforçar muito sou capaz de sentir o cheiro do rio que passava ao lado do campo. Ele se perdia na escuridão dos manguezais, onde nem as luzes dos refletores conseguiam penetrar, pelas muitas histórias que ouvíamos naquela época, aquele lugar era a fonte de nossos medos mais profundos, nós perguntávamos o que sairia dali durante a madrugada e o que poderia nos acontecer se nos arriscássemos mais adentro de suas margens sombrias. Existia sim a criminalidade, mas não como hoje em dia, naquela época ao invés de armas e drogas, nós temíamos papa-figos, velhos do saco e fantasmas. As crianças todas saiam, como se soubessem instintivamente onde cada um estaria, indo na casa dos que ainda não puderam se juntar ao grupo, nós víamos cada esquina, cada árvore e cada muro como um obstáculo a ser superado, uma aventura.
A rua que hoje parece tão pequena era uma arena gigantesca, palco de partidas épicas de futebol, queimado e barra bandeira. Dividíamos-nos em grupos para brincar de policia e ladrão, enfrentávamos monstros imaginários embaixo de uma gigantesca árvore de fruta-pão que era local de pasto para algumas vacas e cabras, que o dono da fábrica criava naqueles tempos. Como todo e qualquer bairro daquela época, no nosso também vivia uma bruxa perigosa, acreditávamos que ela dedicava suas noites na produção de feitiços e conjurações malignas, pobre vizinha. E hoje o que eu encontrei me deixou mais triste, uma fotografia da antiga casa do meu avô, lembrei de tudo entre nós, nossos caminhos divididos, aquela pequena casa colada com a Fábrica Capibaribe já foi o palco de muitos momentos, alguns tristes e outros felizes. Sinto falta de não poder olhar para as estrelas em busca de discos voadores, sinto saudades dos verdadeiros amigos que tive, eu sei que vocês levaram um pedacinho meu com vocês e eu trago parte de todos vocês comigo. Um dia meus amigos, nós iremos nos reunir novamente em baixo daquele pé de jambo, como sempre fazíamos, em um circulo, sem melhores ou piores, sem riquezas, sem cores, sem dores, e sem mentira, ali, naquele momento, éramos apenas, nós.

Por: Rubem de Souza Almeida Neto.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Bela flor.


O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessoa; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade… sei lá de quê!

Florbela Espanca
 

Distance.


Quando não vivemos próximos da pessoa que amamos qualquer coisa é motivo para relembrar um momento. Parece que nossa alma e corpo se separaram e estamos numa longa viagem, numa terra distante ou presos numa outra realidade. Nós sentimos que nossa casa é pequena de mais para viver e o quintal que antes acalentava nossa solidão, hoje é mais silencioso, como se as árvores percebessem a tristeza.  Somos tomados por uma saudade que cauteriza os olhos, tentamos de tudo para nos convencer que a vida pode continuar normalmente, mas nossos corações não se deixam enganar, sobrevivem sem tranqüilidade.  Um amor que está presente no coração, mas distante dos meus olhos, eu sigo assim, inventando paixões para fugir da verdade, pois sei que depois do sonho vem a realidade, eu sei que a vida não pode ser melhor sem você. Mas é tão triste sentir você longe dos olhos, vislumbrando essa solidão. 


Por: Rubem de S. Almeida Neto.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Tranqüilidade.


  Querer bem a alguém não é tarefa difícil, na verdade quanto mais se gosta de alguém mais natural se torna o gostar. Desejar passar o resto da sua vida com essa pessoa já é bem diferente, não tem nada a ver com paixão, pressa ou destino, é algo mais parecido com uma serenidade. Um sentimento pacífico que lembra muito uma certeza, mas é bem mais solene, ele se contenta mais facilmente, ele entende que existem as dificuldades e todo o resto. Essa é a paz que devemos buscar, sabendo que seremos um só, mas não seremos iguais, para isso é necessário ter o conhecimento dessas diferenças que no começo podem ser simples e que depois podem se tornar impossíveis de se lidar, não sem compreensão, amor e paciência.
  A tranqüilidade que devemos buscar é a precaução que vai impedir que seja tarde de mais, tanto para o bem quanto para o mal. Não devemos achar que podemos ser como santos, mas precisamos aprender a lidar com nossos demônios e os demônios do próximo, carregando um ao outro pela estrada conturbada da vida que nos apunhala diariamente, dividindo a alegria e também as dores, dessa forma suportando as influencias caóticas e buscando no outro aquilo que nos falta para entender a nós mesmos, a vida e os seus desígnios.

Por: Rubem de Souza Almeida Neto.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Eu poderia.

Eu poderia ter seguido por qualquer caminho, mas voltei para você.
Eu poderia ter não sentido nada, mas tudo que sinto é por você.
Eu poderia ter simplesmente desistido,
E desisti, do meu orgulho.
Eu poderia ter negado, mas só consegui atrasar o inevitável.
Eu permiti que a escuridão entrasse, somente para ver você brilhar.
Eu poderia não ter ouvido você, mas você me escutou.
Eu poderia ter dado as costas,
E mesmo assim você me abraçou.
Eu poderia ter dito que não te amava.
Mas mesmo assim estaria para sempre com o seu amor.

Por: Rubem de Souza A. Neto.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Vereadores e secretários recebem o Bolsa-Família.

Principal programa social do governo, o Bolsa-Família ajudou a reeleger o então presidente Lula em 2006, foi cabo eleitoral de Dilma Rousseff no ano passado e mereceu elogios até mesmo de candidatos da oposição, que prometeram ampliá-lo se chegassem ao Planalto. Mas uma parte do dinheiro que deveria reduzir um pouco os efeitos da miséria em milhões de lares brasileiros, oito anos depois de criado o programa, ainda é desviada para beneficiar pessoas que não se encaixam no perfil exigido. A notícia é do jornal O Estado de Minas.
Em 2010, último ano do governo Lula, 1.327 funcionários públicos municipais com renda familiar per capita acima da estipulada pelo Bolsa-Família receberam o benefício, de acordo com levantamento feito pelo Estado de Minas com base nos relatórios divulgados pela Controladoria-Geral da União, em suas investigações sobre a aplicação de verbas públicas federais nos municípios. Desses, pelo menos 30 são mulheres de vereadores e 15 mulheres de secretários de prefeituras. Muitos beneficiários ainda continuaram recebendo o benefício mesmo depois das visitas dos fiscais em março, maio e julho.
Servidor público receber Bolsa-Família não é uma irregularidade ao pé da letra. Os casos apontados pela controladoria nos relatórios divulgados neste início de ano, entretanto, estão todos fora da lei, já que os funcionários têm renda familiar per capita acima de R$ 140, valor máximo para ter direito ao recurso. O problema é que o cadastro das pessoas que recebem o recurso é feito pelas prefeituras. Em um dos relatórios divulgados, a CGU questiona a concessão de benefícios irregulares a servidores municipais: “Esta (a prefeitura) tem acesso tanto à ficha financeira quanto ao cadastro dessas pessoas, o que já seria suficiente para verificar a incompatibilidade de renda per capita”. A CGU ressalta ainda que o Decreto 5.209/2004, do presidente Lula, proíbe que políticos eleitos em qualquer esfera de governo recebam recursos do Bolsa-Família.
Em Frei Inocêncio, no Vale do Rio Doce, em Minas Gerais, a controladoria flagrou a mulher do então secretário de Obras, Cyntia Rodrigues Pereira, recebendo o benefício no valor de R$ 68. Ela teve a poupança bloqueada em abril, um mês depois da visita da CGU à cidade. Seu marido, Marcelo Vieira Cabral, foi exonerado da secretaria em outubro, devido a atritos com o prefeito. Cyntia disse que já recebia o benefício antes de conhecer Marcelo. Ela assumiu que não precisava da verba, mas explicou que o dinheiro era para ajudar o irmão, de 14 anos. “Somos órfãos e meu irmão precisava desse dinheiro”, afirmou.

POSTADO ÀS 21:54 EM 13 DE Fevereiro DE 2011 - No BLOG de Jamildo - http://jc3.uol.com.br/blogs/blogjamildo/canais/noticias/2011/02/13/vereadores_e_secretarios_recebem_o_bolsafamilia_91986.php

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Contemplação do Tempo.


  Quando estamos presos numa encruzilhada de sentimentos e precisamos de paciência para entender o caminho que vamos trilhar nós costumamos olhar para trás, tentando encontrar respostas nas nossas experiências antigas. Quando olho para trás algo me diz para não entregar meu coração, algo me diz que as cicatrizes ainda estão lá e querendo ou não vai ser difícil encarar o amor. Aprendemos de várias formas que o amor vem sem avisar e que não podemos controlar as conseqüências desse sentimento, mas, pensar em você todo dia é como encontrar sentido para respirar. Às vezes é tão difícil você conseguir tirar o seu amor do peito, é tão complicado segura-lo nas mãos, pois, mesmo desejando entregar esse amor para aquela pessoa, nós ficamos paralisados, sem saber o que fazer com ele. Somos tomados por um medo que cauteriza a alma, que nos fazem parecer como tolos assustados.
  Entendo eu que forçar o outro a amá-lo é imperdoável e nada tem a ver com o amor, mas sim com uma busca frenética para conseguir algo que se deseja, sem nem ao menos compreender a nobreza de que podemos amar o suficiente para deixar aquilo que amamos ir, pois não poderia, mesmo que por amor, aprisionar o coração de quem se ama. Sei que ao tentar possuir a todo custo esse amor, verei sua beleza indo embora. Mas se eu apenas pudesse contemplar sua beleza, mesmo que a distância, você permaneceria para sempre comigo. Poderia seu amor nunca ser meu, mas eu a teria para sempre.   


Por: Rubem de Souza A. Neto

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Somos todos escravos.

  As pessoas não existem em função da sabedoria e sim o contrário. Tornou-se comum nos depararmos com indivíduos que possuem em sua mente uma idéia deturpada de conhecimento, se achando de certo modo superiores dos seus semelhantes, e esse é o principal equivoco que a falsa sabedoria cria, uma idéia de centro, nos fazendo pensar que somos diferentes.  Nossos lideres, eufóricos com a sensação de poder, começam a pensar que as pessoas vivem em função deles, devendo elas se tornar submissas a sua vontade de ferro. A política do mesmo modo que a religião caminha numa inversão constante de princípios naturais, elas não se submetem, sendo assim não servem verdadeiramente aos ideais que buscam alcançar e pelos quais foram criados.
  Conscientes de sua ignorância, esses auto intitulados pensadores, intelectuais, médicos, políticos, advogados e policiais acabam por oprimir as pessoas e exploram a sociedade como um todo, unicamente para atingir seus próprios fins egoístas. Não devemos nos enganar com essas pessoas, pois elas estão do nosso lado, em nossas casas e empregos, estão sempre prontas para nos mostrar quão fracos somos por não aceitar suas verdades. Elas não se preocupam em corromper os outros, para eles somos apenas uma ferramenta para ser usada e quando não mais servir, tenha certeza, seremos jogados fora, sem nada.
  Eles nos ensinam desde crianças que não podemos fazer nada, que vivemos uma utopia que há muito já foi superada e que ou nos adequamos a isso ou seremos a margem, os marginais. Por medo, muitos de nós aceitamos isso e sem saber nós esquecemos que para fazer a diferença não é preciso uma guerra, uma revolta ou uma posição anarquista. É preciso que entendamos que a revolução intelectual está nos pequenos passos, numa oportunidade que encontramos de fazer um ato nobre, mesmo que pequeno. Seja no trabalho, em casa ou na rua, são as pequenas ações que juntas iniciam o processo de mudança e não existe vitória maior a ser alcançada do que se manter consciente numa sociedade forjada pela ignorância. Devemos agir como vigilantes silenciosos da nossa própria integridade, pois são nossas ações que falarão por nós e mesmo no silêncio é possível haver diálogo, atitude e luta. O sistema é falho e por si só já nos entrega as armas que precisamos para fazer essas pequenas mudanças, vocês serão taxados de ignorantes, sonhadores ou rebeldes. Mas poderão ser livres, pelo menos em suas mentes e ainda sim deixarão para a futura geração a única arma que é realmente eficaz contra qualquer tipo de opressão, a esperança, que só se manifestará verdadeiramente quando mesmo com erros e sofrimento, ainda sentirmos vontade de tentar outra vez. 

Rubem de Souza Almeida Neto.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

(Trecho do conto 'Os desastres de Sofia', in "Felicidade Clandestina)

Pois logo a mim, tão cheia de garras e sonhos, coubera arrancar de seu coração a flecha farpada. De chofre explicava-se para que eu nascera com mão dura, e para que eu nascera sem nojo da dor. Para que te servem essas unhas longas? Para te arranhar de morte e para arrancar os teus espinhos mortais, responde o lobo do homem. Para que te serve essa cruel boca de fome? Para te morder e para soprar a fim de que eu não te doa demais, meu amor, já que tenho que te doer, eu sou o lobo inevitável pois a vida me foi dada. Para que te servem essas mãos que ardem e prendem? Para ficarmos de mãos dadas, pois preciso tanto, tanto, tanto - uivaram os lobos e olharam intimidados as próprias garras antes de se aconchegarem um no outro para amar e dormir.

Clarice Lispector

A dança.

 
Não te amo como se fosse rosa de sal, topázio
ou flecha de cravos que propagam o fogo:
te amo secretamente, entre a sombra e a alma.
.
Te amo como a planta que não floresce e leva
dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o apertado aroma que ascender da terra.
.
Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
te amo directamente sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,
.
Se não assim deste modo em que não sou nem és
tão perto que a tua mão sobre meu peito é minha
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.
 
Pablo Neruda.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Doubt, a status between belief and disbelief, involves uncertainty or distrust or lack of sureness of an alleged fact, an action, a motive, or a decision. Doubt brings into question some notion of a perceived "reality", and may involve delaying or rejecting relevant action out of concerns for mistakes or faults or appropriateness.


  Quando estamos presos numa encruzilhada de sentimentos e precisamos de paciência para entender o caminho que vamos trilhar nós costumamos olhar para trás, tentando encontrar respostas nas nossas experiências antigas. Quando olho para trás algo me diz para não entregar meu coração, algo me diz que as cicatrizes ainda estão lá e querendo ou não vai ser difícil encarar o amor. Aprendemos de várias formas que o amor vem sem avisar e que não podemos controlar as conseqüências desse sentimento, o problema é que ninguém nos ensina que esse amor por muitas vezes aparece apenas em nós, não sendo compartilhado pela pessoa que amamos e desejamos.
  Sendo assim seria justo entregar esse amor para essa pessoa? Poderia ela saber o que fazer com ele, mesmo não amando? Não seria egoísmo nosso forçá-la a sentir o que sentimos? Seria mais fácil guardar esse amor e simplesmente esperar que o tempo faça o resto? Às vezes é tão difícil você conseguir tirar o seu amor do peito, é tão complicado segura-lo nas mãos, pois mesmo desejando dar esse amor para aquela pessoa nós ficamos paralisados, sem saber o que fazer com ele. Somos tomados por um medo que cauteriza a alma, que nos fazem parecer como tolos assustados.
  Entendo eu que forçar o outro a amar é imperdoável e nada tem a ver com o verdadeiro amor, mas sim com uma busca frenética para conseguir algo que se deseja sem nem ao menos compreender a nobreza de que podemos amar o suficiente para deixar aquilo que amamos ir. Pois , não poderia por um amor egoísta aprisionar o coração de quem amamos. Acredito que ao tentar possuir a todo custo esse amor, verei sua beleza indo embora. Mas se eu apenas pudesse contemplar sua beleza, mesmo que a distância, você permaneceria para sempre comigo. Poderia seu amor nunca ser meu, mas eu a teria para sempre. Queria que fosses minha, mas não sei se mereço e quero que saiba que mesmo cortado e cheio de cicatrizes, esse mesmo coração insiste em pulsar por você, insistindo dentro de mim que é você a única que pode cura-lo e traze-lo de volta para a luz.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Medo do amor.

  Todos nós convivemos com algum tipo de medo, seja de errar, de ser ferido, e até mesmo de ferir. Nenhum relacionamento se inicia perfeito e permanece perfeito por todo o tempo ou vida. O que diferencia os relacionamentos comuns dos especiais é a perfeição do amor e da compreensão que resulta desse amor, aprendemos através dele que não somos perfeitos e através do amor percebemos que o outro também é humano e vulnerável como nós somos. A partir desse entendimento o amor consegue nos transferir para o lugar da pessoa que amamos, através do entendimento e da aproximação do casal é possível perceber no outro a felicidade e a tristeza. Esse dom, unido a experiência e da amizade, nos permite realizar atos de amor tão puro e generoso que muitas pessoas não conseguem compreender e não vão entender, pelo menos até que chegue o momento.
  Devemos estar atentos a isso, pois não basta que chegue o momento certo para que as coisas aconteçam, é preciso que saibamos reconhecer esse momento para abraçá-lo como nosso. Precisamos entender primeiro que o amor, ele é utópico, ele é perfeito e como tal nunca conseguiremos amar perfeitamente, o que torna o nosso amor mais próximo da perfeição é a estrada, a jornada que decidimos tomar para conhecer cada vez mais o que significa amar. A resposta para o amor não está em atingi-lo perfeitamente, mas sim em buscá-lo.
  E é essa busca continua, árdua e misteriosa que serve de alicerce para o amor “ideal”, aquele amor que conhece, respeita, espera e supera, mas não a ponto de anular o outro e sim agregando valores para ambos. A construção do amor é diária, difícil e muitas vezes frustrante, mas apenas quando não há nos dois a vontade de amar, pois, mesmo que em intensidades diferentes o amor se manifesta em vontade e busca pelo melhor, sendo assim nunca regressa , sendo impossível de acreditar que em qualquer esfera da realidade humana o simples fato de amar não venha a evoluir o ser não só interiormente mas também exteriormente, e, tudo que nele se conecta se altera para sempre. 


Por: Rubem de Souza Almeida Neto.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Finalmente.


  Finalmente as palavras deslizaram da minha mente e se fizeram som sob a resplandecência cegante dos teus olhos. Num firme momento de certeza irresoluta meus temores mais insuportáveis se dissiparam do instrumento que desprende minha voz. De coração disposto e posto sobre a mesa, abri meu peito em certeza de não herdar a solidão. Ilusão que Sorridente me despede deste objeto de um passado distante, que insistia em permanecer constante em um brado torturante de protestos.
  Finalmente, para nós o amor se faz algoz e conduz a força a dor a forca, distante do instrumento de adoração do teu protetor. Eu sei que me querem comparar, mas impune no julgamento não há, nem aquele que julga e nem o julgado estarão imunes aos feitiços da ilusão que de repente se desprende e me prende a atenção, na tua beleza presente, o incessante fogo da paixão que mil lembranças iluminam dentro do meu coração.

Por: Rubem de Souza Almeida Neto.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Conhecer.


  Se você não conseguiu me conhecer até agora dificilmente me conhecerá, pois todas as coisas pelo que passamos de alguma forma já foram suficientes para você me entender como eu entendo você. Isso tudo é tão divertido, essa ansiedade de tomar o telefone e te fazer uma ligação, apenas para ouvir sua voz, apenas para agirmos como crianças, nos divertindo um com o outro. Mas eu sei que ao desligar a vida que nós escolhemos toma novamente seu rumo e precisamos dar continuidade ao que planejamos, tentando controlar nosso tempo que não dá tempo para saudade.
  Gostaria muito que você confiasse em mim como eu confio em você, eu gostaria que você acreditasse quando digo que sinto sua falta, que desejaria estar com você. Não sei, será que você me conhece? Até porque, todos nós temos nossas manias engraçadas e nossos defeitos detestáveis, o que torna isso tudo diferente é que quando estamos juntos nós nos entendemos de uma forma que não precisam de palavras. Mas o que não precisava ser dito se transformou em certa ausência, criando um abismo entre nós e o silêncio que perdura em falar a nossa mente.


Por: Rubem de Souza Almeida Neto.