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terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

(Trecho do conto 'Os desastres de Sofia', in "Felicidade Clandestina)

Pois logo a mim, tão cheia de garras e sonhos, coubera arrancar de seu coração a flecha farpada. De chofre explicava-se para que eu nascera com mão dura, e para que eu nascera sem nojo da dor. Para que te servem essas unhas longas? Para te arranhar de morte e para arrancar os teus espinhos mortais, responde o lobo do homem. Para que te serve essa cruel boca de fome? Para te morder e para soprar a fim de que eu não te doa demais, meu amor, já que tenho que te doer, eu sou o lobo inevitável pois a vida me foi dada. Para que te servem essas mãos que ardem e prendem? Para ficarmos de mãos dadas, pois preciso tanto, tanto, tanto - uivaram os lobos e olharam intimidados as próprias garras antes de se aconchegarem um no outro para amar e dormir.

Clarice Lispector

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O avô e os lobos.

Um velho avô disse a seu neto, que veio a ele com raiva de um amigo que lhe havia feito uma injustiça:

"Deixe-me contar-lhe uma historia. Eu mesmo, algumas vezes, senti grande ódio daqueles que 'aprontaram' tanto, sem qualquer arrependimento daquilo que fizeram. Todavia, o ódio corrói você, mas não fere seu inimigo. É o mesmo que tomar veneno, desejando que seu inimigo morra. Lutei muitas vezes contra estes sentimentos".

E ele continuou:

"É como se existissem dois lobos dentro de mim. Um deles é bom e não magoa. Ele vive em harmonia com todos ao redor dele e não se ofende quando não se teve intenção de ofender. Ele só lutará quando for certo fazer isto, e da maneira correta."

"Mas, o outro lobo, ah!, este é cheio de raiva. Mesmo as pequeninas coisas o lançam num ataque de ira! Ele briga com todos, o tempo todo, sem qualquer motivo. Ele não pode pensar porque sua raiva e seu ódio são muito grandes. É uma raiva inútil, pois sua raiva não irá mudar coisa alguma!

"Algumas vezes é difícil conviver com estes dois lobos dentro de mim, pois ambos tentam dominar meu espírito".

O garoto olhou intensamente nos olhos de seu avô e perguntou:

"E qual deles vence, vovô?"

O avô sorriu e respondeu baixinho:

"Aquele que eu alimento mais frequentemente".

domingo, 3 de outubro de 2010

Volária - Criando um Universo.


O Início

  No inicio tudo era vazio e este se expandia por todo o nada, desse vazio emergiu a primeira centelha celestial, com sua breve luz o caos teve inicio preenchendo a massa negra com pequenos pontos luminosos. Esses pontos se mantinham sempre em movimento e quando se aproximavam dava inicio a um evento conhecido como a dança, esses corpos giravam freneticamente até se colidirem, da explosão que geravam surgiam novas esferas. Com o tempo o espaço começou a se inflamar devido ao acumulo da energia resultante das explosões. Essa anergia atraiu para o seu centro as quatro maiores luzes do espaço.
  Iniciada a dança dos quatro astros uma grande explosão teve inicio, fundindo-os e criando o grande triangulo. Misteriosamente o triângulo absolveu toda a energia excessiva que vagava no universo e para dar equilíbrio ao centro criou dois grandes seres. O primeiro, Enerom era o senhor da luz, podia criar sois apenas com o bater de suas palmas. Sempre justo e pacífico Enerom viajava o espaço impedindo que seus filhos solares se chocassem, ele os chamava de senhores das galáxias, sempre escolhendo os melhores lugares para cada um dos seus descendentes. Horum, a filha mais nova era a dama das sombras, sua grande manta se extendia por quase todo o vazio, até onde os filhos de Enerom não conseguiam iluminar. Gananciosa, estava sempre à procura de mais espaço. Sempre que um sol morria, ela tentava absolve-lo gerando assim grandes buracos vazios, de onde ela podia se alimentar da energia que lá se acumulavam.
  Enerom cansado das travessuras da sua irmã decidiu espalhar seus filhos por todo o vazio forçando as sombras de Horum a se espremerem entre o vazio que havia e os grandes Sóis. Com o tempo os buracos deixados por Horum começaram a sugar não somente a energia dos filhos dos Sóis, mas também a energia do próprio triângulo, que tocado pelas forças desconhecidas se corrompeu e minguou. Sentindo pela primeira vez todo o poder do triângulo em si, Horum expandiu seu reino de sombras a distâncias tão infinitas que nem Enerom pode alcançar.   

Por: Rubem de Souza Almeida Neto