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quinta-feira, 29 de março de 2012

Horizontes e Fronteiras são iguais.

  Quero uma chave para abrir a porta, quero uma chance de tentar viver sem lamentar. Eu sei que o mundo me amedrontou e eu sei que pequei por hesitar, mas ainda sim poderia ser diferente, não um final diferente, mas um meio, meio termo.  Gostaria de materializar os pensamentos da minha cabeça, gostaria de poder cumprir as promessas que fiz, e me sentir orgulhoso por assim ser.

  Quero um momento de chuva intensa e restauradora. Águas límpidas que correm por entre as ramificações da minha alma, pois nem as coisas de que eu mais gosto conseguem me trazer alegria e nada do que me dizem me faz compreender esse dia. O meu amigo Fagner me disse que eu ainda sou bem moço para tanta tristeza, me disse para deixar de coisa e cuidar da vida, do contrário haveria a morte, ou coisa parecida. O problema é que ele esqueceu do som da melodia, ela reflete apenas melancolia, hipocrisia.

  Como poderia eu então não lamentar minhas falhas, como poderia eu não me espelhar sem sucesso nos meus amigos? Pobre verdade, é aquela certeira que você sabe que sairá do seu amigo, aquela palavra que soa como bálsamo de cura, temporariamente e paliativamente esquecível no exato momento em que fechamos a porta. Quando novamente estamos sós com nossos pensamentos frustrantes, o ululante lobo de face escura que se alimenta do nosso coração e que sem querer nos faz parecer diferentes, tão iguais, ou seriam mortais? E as nossas mulheres queridos amigos? Elas, que tentam nos entender sem sucesso, mágoas lançadas como flechas repartem nossas camas e tentamos de toda maneira nos guardar, como velhos tolos e egoístas fingimos ter a força que não dispomos  e a velha dor doida, sempre volta para ficar e incomodar.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

O avô e os lobos.

Um velho avô disse a seu neto, que veio a ele com raiva de um amigo que lhe havia feito uma injustiça:

"Deixe-me contar-lhe uma historia. Eu mesmo, algumas vezes, senti grande ódio daqueles que 'aprontaram' tanto, sem qualquer arrependimento daquilo que fizeram. Todavia, o ódio corrói você, mas não fere seu inimigo. É o mesmo que tomar veneno, desejando que seu inimigo morra. Lutei muitas vezes contra estes sentimentos".

E ele continuou:

"É como se existissem dois lobos dentro de mim. Um deles é bom e não magoa. Ele vive em harmonia com todos ao redor dele e não se ofende quando não se teve intenção de ofender. Ele só lutará quando for certo fazer isto, e da maneira correta."

"Mas, o outro lobo, ah!, este é cheio de raiva. Mesmo as pequeninas coisas o lançam num ataque de ira! Ele briga com todos, o tempo todo, sem qualquer motivo. Ele não pode pensar porque sua raiva e seu ódio são muito grandes. É uma raiva inútil, pois sua raiva não irá mudar coisa alguma!

"Algumas vezes é difícil conviver com estes dois lobos dentro de mim, pois ambos tentam dominar meu espírito".

O garoto olhou intensamente nos olhos de seu avô e perguntou:

"E qual deles vence, vovô?"

O avô sorriu e respondeu baixinho:

"Aquele que eu alimento mais frequentemente".

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

A Caçada.

  A criatura queria se perpetuar nos teus sonhos mais obscuros, das lembranças mais intimas que você insiste em guardar nas noites quando chegas em casa farta e cheia de cansaço. O caçador desejava ser a tentação mais inocente, desenhando em teu corpo as curvas de uma serpente. Queria apenas ficar no teu peito feito sangue quente, que te respinga lento e ungido nas dores de um passado distante, manchando tua pele que exaustivamente reluta em aceitar o amargor dos teus lábios, que banhados em café tentam sentir o sibilar das línguas. Numa dança frenética o teu corpo salta sob o dele, sentindo os músculos contraídos e pesados, atordoados dançam uma última canção, que forjada pela decepção e a ilusão te faz acreditar que não é o mal que te aborda, assim tu se lembra das chances que perdeu, e das pessoas que já fizeste chorar. 
  Segurando tuas lágrimas você sente por dentro a dor de um amor, vendo assim o valor que tem esses sentimentos, você se cansa de cometer os mesmos erros, fazendo de conta que tudo tem seu motivo e horas exatas, você deixa seus pensamentos nublarem a verdadeira face bestial que te contempla.  Guiada pelo caos e uma melodia triste você teimou em insistir na fé que a lua provocava em teu espírito, sem saber que provocada e silenciosa a caçada da noite já estava no fim.
  Lutando como luta uma fera que desolada e emboscada sente nos pelos o arrepiar de uma estocada. A calmaria dá lugar ao descontrole, e o olhar fúnebre indica os sentidos murcharem, com relutância tu desprende um murmúrio gélido e cortante que se desenvolve ao som da brisa matutina. Tuas mãos sedentas pelo calor tocam a terra já inundada pelo brado vermelho que derrama teu corpo, você parece valsar em direção ao primeiro raio solar. Esta luz ínfima e tímida parece se esforçar para tocar a folhagem do solo, desviando seu raio por entre as arvores escuras e retorcidas daquele bosque, a luz parecia propositadamente iluminar justamente o local da queda.  Teu rosto é embranquecido pela luta violenta. Sedento pela vida que existe ali o teu amado que agora mais parecia uma grande sombra, se curva perante o teu corpo já sem vida e onde antes havia patas e garras, agora existem duas mãos erguidas que se unem no desenrolar de uma breve oração.

Por: Rubem de Souza A. Neto

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

O Lobo e a Flor.




Caminhando pelas trilhas costumeiras,
ao chegar ao topo de uma montanha,
um lobo, já descrente de sua vida,
se deparou com uma misteriosa flor,
que estranhamente lhe chamou a atenção!
Tomado de uma súbita curiosidade,
se aproximou e sentiu um aroma mágico
invadindo primeiro o pensamento
e depois, suas narinas...
Tomado por um torpor inexplicável,
foi se aproximando aos poucos.
Quando percebeu, estava a um passo de lhe dar um beijo!
Recuou, temeroso dessa estranha sensação!
Mas, o coração e alma falaram mais alto.
Delicada e suavemente, tocou-a com suas patas
e num gesto inesperado,
aproximou sua boca num beijo sutil
porém apaixonado!
O dia que estava claro, inesperadamente se fez noite...
e deu lugar à uma noite de luar,
clara como nunca havia visto!
A lua se fez rainha no firmamento,
coroada pelas estrelas que brilhavam ao seu redor.
Quase não acreditando no que estava acontecendo,
pensando estar louco ou alucinado, estremeceu...
Abriu e fechou os olhos, várias vezes,
para realmente acreditar no que via!
Aquela linda e rara flor,
havia se transformado numa mulher...
Estendo as mãos em direção à cabeça do lobo,
ela suavemente o acariciou...
Levando-o, nesse instante, ao mundo mágico dos sonhos...
Ele, por sua vez, encantado e agradecido,
fez soar um uivo, como jamais havia sido dado ou ouvido,
por todo o planeta!
Foi o grito de um guerreiro que estava adormecido,
há séculos esquecido 
e se fez ecoar pelos quatro cantos...
O céu se tornou muito mais iluminado,
as estrelas se uniam em grupos,
formando uma claridade jamais vista.
A lua, por sua vez, foi se tornando mais resplandecente,
com um brilho que ofuscava, 
a quem a olhasse mais atentamente.
Ele sabia que o momento era chegado...
Sua vida não havia sido em vão...
A busca havia terminado...
Num ultimo gesto, 
pensado que seu tempo havia terminado,
fitou aquela linda mulher a seu lado
e humildemente, tocou suas mãos com os lábios,
numa cerimônia simples, de agradecimento e adeus!
Inesperadamente, ela levantou a face do lobo,
olhou profundamente dentro de seus olhos,
e ao perceber um lágrima rolando,
o beijou suavemente; 
mas um beijo diferente,
um beijo de alma e coração...
Há muito sonhado, esperado, mas não esquecido!
Nesse instante, por todo universo se fez ouvir um trovão!
A terra toda estremeceu,
as estrelas se uniram, temerosas do que viria a seguir...
A lua foi encoberta por uma nuvem escura,
mergulhando o firmamento na mais negra escuridão!
Como querendo ocultar, a lágrima escondida!
A impressão que se obteve,
foi que naquele instante, o tempo parou!
E... ele acreditava que estava para dar,
o que julgava ser, seu último suspiro...
Que a sua missão havia terminado...
Um torpor tomou conta desse ser, 
meio animal, meio mágico...
Sentindo as forças acabarem,
olhou para a mulher ao seu lado,
como se fosse a última vez, 
e seus olhos foram se enevoando...
Parecia flutuar, estava leve, estranhamente leve...
Quando se deu conta... Abriu os olhos...
Um lindo olhar o fitava, na mesma intensidade...
Era ela... A sua frente...
Pensou estar sonhando...
Mas... Não!
Era uma realidade palpável...
Os deuses haviam permitido
que, mais uma vez, eles se encontrassem...
Um terno abraço tomou conta desses dois corpos,
fundindo assim um amor que ultrapassava
os limites da eternidade e da razão!
Ele havia se transformado num homem,
o animal lobo ressurgira no guerreiro esquecido,
num ser agora racional e sensível;
transformado pelo toque do amor,
traduzido pelo beijo numa flor,
que sempre o acompanhou desde eternidade.
Corpos e corações se uniram, nesse instante...
A lua foi se descortinando inexplicavelmente...
As estrelas irradiavam sua luz,
iluminando mais ainda a noite!
Eles se deram as mãos,
e caminharam em direção ao amanhã...
Que seria o único caminho que poderiam percorrer...
Mas... Desta vez... Juntos...
Num amor que superou o tempo e o espaço...
Na esperança guardada, 
dentro de dois corações,
por tantos séculos,
de que um dia, 
estariam juntos...
Novamente...

http://refugiodossonhos.bravehost.com/lendaflor/lendaflor.htm

TEXTO TIRADO DA INTERNET.