terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

A dança.

 
Não te amo como se fosse rosa de sal, topázio
ou flecha de cravos que propagam o fogo:
te amo secretamente, entre a sombra e a alma.
.
Te amo como a planta que não floresce e leva
dentro de si, oculta, a luz daquelas flores,
e graças a teu amor vive escuro em meu corpo
o apertado aroma que ascender da terra.
.
Te amo sem saber como, nem quando, nem onde,
te amo directamente sem problemas nem orgulho:
assim te amo porque não sei amar de outra maneira,
.
Se não assim deste modo em que não sou nem és
tão perto que a tua mão sobre meu peito é minha
tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.
 
Pablo Neruda.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Doubt, a status between belief and disbelief, involves uncertainty or distrust or lack of sureness of an alleged fact, an action, a motive, or a decision. Doubt brings into question some notion of a perceived "reality", and may involve delaying or rejecting relevant action out of concerns for mistakes or faults or appropriateness.


  Quando estamos presos numa encruzilhada de sentimentos e precisamos de paciência para entender o caminho que vamos trilhar nós costumamos olhar para trás, tentando encontrar respostas nas nossas experiências antigas. Quando olho para trás algo me diz para não entregar meu coração, algo me diz que as cicatrizes ainda estão lá e querendo ou não vai ser difícil encarar o amor. Aprendemos de várias formas que o amor vem sem avisar e que não podemos controlar as conseqüências desse sentimento, o problema é que ninguém nos ensina que esse amor por muitas vezes aparece apenas em nós, não sendo compartilhado pela pessoa que amamos e desejamos.
  Sendo assim seria justo entregar esse amor para essa pessoa? Poderia ela saber o que fazer com ele, mesmo não amando? Não seria egoísmo nosso forçá-la a sentir o que sentimos? Seria mais fácil guardar esse amor e simplesmente esperar que o tempo faça o resto? Às vezes é tão difícil você conseguir tirar o seu amor do peito, é tão complicado segura-lo nas mãos, pois mesmo desejando dar esse amor para aquela pessoa nós ficamos paralisados, sem saber o que fazer com ele. Somos tomados por um medo que cauteriza a alma, que nos fazem parecer como tolos assustados.
  Entendo eu que forçar o outro a amar é imperdoável e nada tem a ver com o verdadeiro amor, mas sim com uma busca frenética para conseguir algo que se deseja sem nem ao menos compreender a nobreza de que podemos amar o suficiente para deixar aquilo que amamos ir. Pois , não poderia por um amor egoísta aprisionar o coração de quem amamos. Acredito que ao tentar possuir a todo custo esse amor, verei sua beleza indo embora. Mas se eu apenas pudesse contemplar sua beleza, mesmo que a distância, você permaneceria para sempre comigo. Poderia seu amor nunca ser meu, mas eu a teria para sempre. Queria que fosses minha, mas não sei se mereço e quero que saiba que mesmo cortado e cheio de cicatrizes, esse mesmo coração insiste em pulsar por você, insistindo dentro de mim que é você a única que pode cura-lo e traze-lo de volta para a luz.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Medo do amor.

  Todos nós convivemos com algum tipo de medo, seja de errar, de ser ferido, e até mesmo de ferir. Nenhum relacionamento se inicia perfeito e permanece perfeito por todo o tempo ou vida. O que diferencia os relacionamentos comuns dos especiais é a perfeição do amor e da compreensão que resulta desse amor, aprendemos através dele que não somos perfeitos e através do amor percebemos que o outro também é humano e vulnerável como nós somos. A partir desse entendimento o amor consegue nos transferir para o lugar da pessoa que amamos, através do entendimento e da aproximação do casal é possível perceber no outro a felicidade e a tristeza. Esse dom, unido a experiência e da amizade, nos permite realizar atos de amor tão puro e generoso que muitas pessoas não conseguem compreender e não vão entender, pelo menos até que chegue o momento.
  Devemos estar atentos a isso, pois não basta que chegue o momento certo para que as coisas aconteçam, é preciso que saibamos reconhecer esse momento para abraçá-lo como nosso. Precisamos entender primeiro que o amor, ele é utópico, ele é perfeito e como tal nunca conseguiremos amar perfeitamente, o que torna o nosso amor mais próximo da perfeição é a estrada, a jornada que decidimos tomar para conhecer cada vez mais o que significa amar. A resposta para o amor não está em atingi-lo perfeitamente, mas sim em buscá-lo.
  E é essa busca continua, árdua e misteriosa que serve de alicerce para o amor “ideal”, aquele amor que conhece, respeita, espera e supera, mas não a ponto de anular o outro e sim agregando valores para ambos. A construção do amor é diária, difícil e muitas vezes frustrante, mas apenas quando não há nos dois a vontade de amar, pois, mesmo que em intensidades diferentes o amor se manifesta em vontade e busca pelo melhor, sendo assim nunca regressa , sendo impossível de acreditar que em qualquer esfera da realidade humana o simples fato de amar não venha a evoluir o ser não só interiormente mas também exteriormente, e, tudo que nele se conecta se altera para sempre. 


Por: Rubem de Souza Almeida Neto.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Finalmente.


  Finalmente as palavras deslizaram da minha mente e se fizeram som sob a resplandecência cegante dos teus olhos. Num firme momento de certeza irresoluta meus temores mais insuportáveis se dissiparam do instrumento que desprende minha voz. De coração disposto e posto sobre a mesa, abri meu peito em certeza de não herdar a solidão. Ilusão que Sorridente me despede deste objeto de um passado distante, que insistia em permanecer constante em um brado torturante de protestos.
  Finalmente, para nós o amor se faz algoz e conduz a força a dor a forca, distante do instrumento de adoração do teu protetor. Eu sei que me querem comparar, mas impune no julgamento não há, nem aquele que julga e nem o julgado estarão imunes aos feitiços da ilusão que de repente se desprende e me prende a atenção, na tua beleza presente, o incessante fogo da paixão que mil lembranças iluminam dentro do meu coração.

Por: Rubem de Souza Almeida Neto.

sábado, 22 de janeiro de 2011

Conhecer.


  Se você não conseguiu me conhecer até agora dificilmente me conhecerá, pois todas as coisas pelo que passamos de alguma forma já foram suficientes para você me entender como eu entendo você. Isso tudo é tão divertido, essa ansiedade de tomar o telefone e te fazer uma ligação, apenas para ouvir sua voz, apenas para agirmos como crianças, nos divertindo um com o outro. Mas eu sei que ao desligar a vida que nós escolhemos toma novamente seu rumo e precisamos dar continuidade ao que planejamos, tentando controlar nosso tempo que não dá tempo para saudade.
  Gostaria muito que você confiasse em mim como eu confio em você, eu gostaria que você acreditasse quando digo que sinto sua falta, que desejaria estar com você. Não sei, será que você me conhece? Até porque, todos nós temos nossas manias engraçadas e nossos defeitos detestáveis, o que torna isso tudo diferente é que quando estamos juntos nós nos entendemos de uma forma que não precisam de palavras. Mas o que não precisava ser dito se transformou em certa ausência, criando um abismo entre nós e o silêncio que perdura em falar a nossa mente.


Por: Rubem de Souza Almeida Neto.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Te dizer o que sinto...

  Dizem-me o tempo todo que nossas feridas só podem ser curadas por uma única coisa, o tempo.  Descobri que dizer que sentimos muito não é tão importante quanto demonstrar, e que demonstrar é muito mais complicado do que falar, então não adianta muito dizer o que essas palavras vão significar, mas eu sei a cada dia, sinto mais a sua falta. Todo mundo sabe que existem dois lados para cada história, então aqui vai o meu: Quando ficamos eu estava muito machucado para receber o que você queria me entregar, eu sabia que já havia algo entre nós e era isso que me fazia sentir medo. Não sou tão forte quanto você pensa, e essas emoções atravessam minha mente sem parar, sem saber se poderia ter uma segunda chance simplesmente não quis pensar, dessa forma permiti que você fosse embora. O problema disso foi que o tempo não me ajudou muito, ele agiu de forma contrária a tudo aquilo que me haviam dito, ele não me permitiu esquecer, ele me trouxe você.
  Apenas o tempo que passei sozinho não foi suficiente para sentir essas coisas, de certa forma nunca estive sozinho, o problema... Bem, o problema era que sua ausência já me trazia a solidão e eu não conseguia encontrar isso por completo no dia-a-dia. Por mais que eu tentasse ignorar, sua falta se tornava mais presente e que presente era esse, que cada segundo se tornava mais demorado, só suavizando quando tinha alguma notícia sua, mesmo que breve. Ler em suas mensagens que sentia saudades era o maior dos paliativos, ao mesmo tempo me causava aflição, uma distância em meu coração.
  Hoje mesmo, durante todo dia pensei em você e no trabalho me perguntava como havia sido sua cirurgia e quando a veria novamente. Com ansiedade já criava na minha mente alguma imagem de como seria te ver depois de já algum tempo, fico tentando imaginar como estarão seus olhos ao nos encontrarmos. Na verdade é que sinto um carinho por você, algo que é ao seu modo de uma natureza que ao meu coração se desenvolve com simplicidade e sem qualquer obrigação de existir, persiste um sentimento que para quem está próximo pode soar estranho e ao mesmo tempo é tão óbvio. Na maioria das histórias que vemos o trajeto é sempre o mesmo, pessoas se conhecem e ficam o tempo que desejam, simplesmente quando tem que acontecer algo a mais elas continuam juntas. No nosso caso tudo parece que foi ao contrário, de uma forma até engraçada e de algum modo eu sinto que isso nos tornou mais fortes e confiantes um no outro, pois sabemos que estamos recuperando coisas que nem sempre retornam, geralmente não existe uma segunda chance. Só quero que saiba que gostaria de controlar as emoções que sinto, mas não sou tão forte assim e muito menos sou tolo de aceitar que você vá embora sem te dizer o que sinto...

Por: Rubem de Souza Almeida Neto.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Vencendo o Vencedor.


  Agora que eu vejo que o tempo passou realmente, posso entender que não deveria ter sido como acabou sendo, percebi que voltei minha atenção e meu tempo para coisas e pessoas que hoje para mim não significam mais do que nomes na memória. Eu sei que pressionei seus limites e não poderia de maneira alguma sentir que você me permitiria uma segunda chance, sei que não me dediquei como deveria e sei que palavras não bastam para revelar a verdade da nossa história.
  O que hoje tem acontecido comigo é algo bem diferente, o exato contraditório de tudo que me aconteceu antes, geralmente era tudo sempre tão bom e depois simplesmente esfriava. Com você tem acontecido o contrário, a cada dia eu sinto mais a sua falta, a cada segundo você se torna mais e mais importante e de uma forma tão natural e inesperada que me causa medo e hesitação. Eu sinto sua falta e começo a precisar de você cada dia mais, mais do que eu poderia entender. Sua voz doce chega a minha mente como uma melodia, e o seu sorriso de uma forma mágica me fazem saber que antes, em todos os dias passados eu não tinha muito, acostumei meu coração à solidão e a meras peripécias.
  Eu sei que se você pudesse me ouvir, você me diria que não sabe o que dizer, você me diria que o que eu te peço é muito e no momento errado. Mas o tempo irá curar nossas feridas e transformará esse espaço vazio que nossas almas têm em um oceano preenchido de emoções a serem descobertas e nossas histórias não estarão mais submersas. Quero que você saiba que amar não é coisa fácil para mim, eu perdi muito com isso, eu me feri e já feri outros por não compreender o amor. Sou apenas um poço de defeitos e muitas sombras se acumulam sob minha cabeça em dúvidas. Perdoe-me por não conseguir ser tão bom quanto você merece, me perdoe pela minha forma imperfeita de sentir a necessidade da sua presença. Foi difícil para mim reconhecer que precisava do seu carinho para me guiar em direção de uma luz que eu esqueci há muito tempo e achei que não precisaria mais dela para ser feliz, foi por um triz, eu quero que saiba que essas semanas tem sido muito difíceis sem você aqui e eu tenho conciência que não fui muito verdadeiro com você nem comigo, achei que podia me tornar o tipo de cara comum que você já deve ter se acostumado a encontrar por aí, aqueles que não passam de um paliativo para o tempo, uma pausa entre cada realidade. Eu falhei, entrei num jogo complicado de se arriscar e agora eu lamento não ter me esforçado mais, mas de outro modo vejo que tudo teve que acontecer para me fazer compreender que não somos donos da nossa vontade de sentir ou não sentir, uma hora nós caímos em nossas próprias armadilhas. E é nesse momento que conseguimos diferenciar meninos de homens e é quando a presa se torna predador, o vencido se torna vencedor.

Por: Rubem de Souza A. Neto